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quinta-feira, 21 de junho de 2012

CRISE NA EUROPA E ELEIÇÃO NOS EUA ATRAPALHARAM A RIO+20, DIZ BRUNDTLAND

Assessora de Ban Ki-Moon, ex-primeira-ministra da Noruega, Gro Harlem Brundtland, durante coletiva de imprensa na Rio +20 (Reprodução/Internet)

 

'Mãe de sustentabilidade', Gro Harlem Brundtland lamenta a ausência de Barack Obama e David Cameron na conferência e garante: 'Não precisamos reinventar a roda'

AUSÊNCIAS SENTIDAS

 

Para Gro Harlem Brundtland, ex-premier norueguesa e uma das principais protagonistas da Cúpula da Terra Rio92, construir um consenso global sobre a sustentabilidade está se tornando cada vez mais difícil, ainda mais com a crise econômica e um clima político dos EUA que é cada vez mais hostil à ação sobre as mudanças climáticas.

 

Brundtland lamentou a ausência de Barack Obama, David Cameron e muitos outros líderes mundiais na conferência Rio +20 e afirmou que enfrentamos circunstâncias que são muito diferentes das de 1992. “As ausências não são boas. Uma explicação são as dificuldades terríveis na Europa. Os problemas econômicos que alguns países enfrentam tornam mais difíceis os acordos sobre coisas que eles teriam acordado antes de 2008.” Nos EUA, Brundtland vê um declínio preocupante no apoio político para as questões ambientais. ”A cena eleitoral é um fator evidente na decisão de Obama de não estar na Rio+20. A política norte-americana está deteriorando no que diz respeito às questões ambientais”.

Bruntland afirmou entender porque as pessoas se sentem desiludidas e impotentes diante do acordo amplamente criticado por estabelecer metas inadequadas para tirar a economia global de um caminho ambientalmente destrutivo.

Mundo deteriorado

Em 1983, foi dada a Brundtland a tarefa mais importante no mundo: traçar um novo caminho para a humanidade que restaurasse o equilíbrio entre crescimento econômico e proteção ambiental, ou, como muitas vezes aparecia nas manchetes dos jornais, para “salvar o planeta”. A Comissão de Bruntland passou a definir o que é agora referido como “desenvolvimento sustentável” e abriu o caminho para a cúpula de 92 que estabeleceu os projetos de governança ambiental global, incluindo as convenções fundamentais sobre o clima e a biodiversidade. Desde então, as taxas de pobreza melhoraram, embora o ambiente global tenha se deteriorado drasticamente à medida que 1,6 bilhão de pessoas foram acrescentadas à população, os níveis de consumo têm aumentado nos países ricos e a classe média cresce cada vez mais nas economias emergentes.

Bruntland disse que o declínio do meio-ambiente foi previsto em 1992, mas as medidas que foram acordadas para enfrentá-lo não foram devidamente realizadas. Para ela, as falhas foram na implementação e não na estratégia original. “Nós não precisamos reinventar a roda e pensar em novos conceitos e estratégias. O ponto é a falta de vontade política e de acompanhamento às decisões que foram feitas e os conceitos que foram acordados no Rio há vinte anos.”

Enquanto a primeira Cúpula da Terra foi impulsionada pelo otimismo e idealismo para salvar o planeta, os negociadores da Rio+20 parecem mais preocupados com a auto-sobrevivência e o lucro.Um dos principais instrumentos mencionados no documento atual é a promoção de uma “economia verde”, que visa a criação de empregos e lucros através da baixa emissão de carbono, com a economia de recursos das empresas. Há também a intenção de estabelecer um valor econômico aos benefícios ambientais da natureza, e para incorporar fatores ambientais, juntamente com o PIB, como medida de bem-estar nacional. O objetivo das negociações é interligar três pilares – sociedade, economia e meio ambiente. Isso alarmou muitos ativistas que dizem que ao ambiente deve ser dada maior prioridade, pois é a base sem a qual é impossível construir a economia ou uma sociedade.

 

Bruntland disse que a dependência da humanidade sobre a terra deve permanecer na mente das pessoas, mas seria ingênuo prosseguir com uma estratégia improvável de conseguir apoio generalizado. “O idealismo não é suficiente. Vemos isso. Mas não deve ser deixado para trás”.

 

Chegando ao limite

A “mãe da sustentabilidade”, como Bruntland às vezes é conhecida, expressa alarme sobre muitas das tendências que tem observado: “Estamos nos aproximando dos limites em muitas áreas, o que leva ao aumento da pressão sobre o meio ambiente e os preços das commodities. Precisaremos de cerca de 45% mais de comida em 2050 do que temos hoje”. Como muitas instituições científicas, ela acredita que a chave para uma solução seria o fornecimento de anticoncepcionais para as 215 milhões de mulheres no mundo que querem planejamento familiar, mas isso tem sido negligenciando devido às crescentes sensibilidades políticas em torno da questão.

 

Além de assessorar o secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, Bruntland está no Brasil como uma das representantes de um grupo de estadistas sênior, incluindo Nelson Mandela, o arcebispo Tutu, Jimmy Carter e Mary Robinson, que estão comprometidos com um mundo sustentável e justo. Eles têm realizado eventos conjuntos com grupos de jovens em uma tentativa de sensibilizar, transmitir conhecimentos e, em conjunto, procurar uma solução.

 

Indagada se a humanidade terá que esperar até o previsível pico da população humana, em 2050, antes de começar a investir em melhorias e na preservação do meio-ambiente, Brundtland dá uma resposta rápida: “Não, não podemos fazer isso, seria um desastre. A Rio +20 deve ser um ponto de virada para as gerações futuras e para o planeta”.Fontes: The Guardian - Eurozone crisis and US presidential race 'damaged Rio+20 prospects'

 

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