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terça-feira, 30 de novembro de 2010

ONU aprova metodologia brasileira de MDL para transportes

O Comitê Executivo da Convenção Quadro de Mudança do Clima das Nações Unidas (UNFCCC) acaba de aprovar a primeira metodologia do mundo na área de logística para projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) em transportes de carga que segue as diretrizes do Protocolo de Quioto.

http://www.ciflorestas.com.br/imagem.php?w=295&h=300&imagem=n_onu_transportes_19613.jpg


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Criada pelo Instituto Totum, referência mundial para projetos de créditos de carbono, e pela siderúrgica ArcelorMittal Tubarão, a metodologia tem foco na mudança no transporte de bobinas de aço, com a substituição do transporte rodoviário pelo marítimo. As bobinas são levadas, via Terminal de Barcaças Marítimas (TBmar), do Espírito Santo até Santa Catarina.

A aprovação da metodologia permitiu que o projeto da ArcelorMittal Tubarão seja registrado pelo Comitê Executivo da ONU para geração de créditos de carbono. A estimativa é que seja evitada a emissão de 800 mil toneladas de carbono nos próximos sete anos. Isso porque deixaram de circular 110 caminhões por dia pelas estradas brasileiras.

Este é o terceiro projeto de MDL da ArcelorMittal Tubarão, primeira produtora de aço em âmbito mundial a obter reduções de emissões certificadas (CER’s) de projetos de MDL na ONU, além de também ser pioneira na venda de créditos de carbono no setor de aço nacional.

“O desenvolvimento da metodologia e do projeto de Troca de Modal posiciona as empresas envolvidas, e o Brasil de um modo geral, na liderança das ações que visam mitigar emissões de gases de efeito estufa no setor de transportes e constitui uma alternativa importante no setor de transportes, que é um setor que conta atualmente com poucas opções de redução de emissões de forma quantificada”, explica o consultor Leandro Salvático de Freitas, do Instituto Totum.   

A criação dessa metodologia abre uma oportunidade enorme de criação de projetos de MDL no país. Isso porque, de acordo com um estudo recente do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (GVces) , no Brasil, 65% do  transporte de carga é  realizado através de estradas. 

Fonte: SP4 Comunicação Corporativa

http://www.ciflorestas.com.br/conteudo.php?id=4308

Perspectivas do Vitae Civilis e da rede mundial de ONGs CAN- Climate Action Network.

Conheça aqui as principais questões que caracterizam as negociações da CoP-16 em Cancun e saiba quais são as perspectivas do Vitae Civilis e da rede mundial de ONGs CAN – Climate Action Network.

1) Perguntas sobre os temas e perspectivas de resultados da CoP-16.

Na CoP-15, as ONGs exigiam um acordo justo, ambicioso e legalmente vinculante.  Essa continua a ser a demanda para a CoP-16?

Sim, as organizações não governamentais ligadas a questões ambientais, inclusive o Vitae Civilis, continuam exigindo um acordo justo, ambicioso e legalmente vinculante, sem o qual  não será possível lidar com os efeitos das mudanças climáticas que já estão em curso.  Porém entendemos que o momento das negociações agora é distinto e não permitirá a assinatura de tal acordo no México, mas sim na África do Sul, em 2011.  Por isso, entendemos que a CoP-16 deve almejar estabelecer processos e uma visão de futuro que permitam a conclusão de um acordo na CoP seguinte.

Quais os principais desafios que a CoP-16 terá que superar para que essa meta seja alcançada?

  • Promover o entendimento global da meta de temperatura que servirá de parâmetro para as ações de mitigação.  As ONGs ambientais e o Vitae Civilis entendem que o limite de 1,5ºC deve ser fixado e, para tanto, a CoP-16 deveria dedicar-se a lapidar o posicionamento técnico de respaldo a esta posição.
  • A CoP-16 deve também estabelecer um mandato para obter a concordância das partes sobre o esforço conjunto a ser realizado pelos países desenvolvidos e em desenvolvimento, consistente com os princípios de equidade da UNFCCC, com a responsabilidade histórica dos países desenvolvidos e com o direito ao crescimento sustentável dos países em desenvolvimento.
  • Os países desenvolvidos devem concordar com uma meta de redução de mais de 40% para 2020, em relação aos índices de 1990.  Se isso não for obtido na CoP-16, eles devem reconhecer o descompasso da ordem de gigatons (bilhões de toneladas) entre o que será obtido, pelas metas estabelecidas, e o que a ciência recomenda.  Com base nesse reconhecimento, devem estabelecer um mandato para negociar na CoP-17 as reduções adicionais que serão necessárias alcançar até 2020 para permanecer dentro do que a ciência estabelece.
  • Os países em desenvolvimento, por sua vez, devem se comprometer a produzir Planos de Ação de Baixo Carbono, os quais devem ser opcionais para os Países Menos Desenvolvidos (LDC) e pequenas ilhas em desenvolvimento (SIDS) mediante apoio dos países desenvolvidos.
  • Mecanismos de medição, verificação e relato (MRV) devem ser aplicados igualmente para países desenvolvidos e em desenvolvimento, sendo dentro do escopo do Protocolo de Quito para os países desenvolvidos.
  • Todas as partes devem coletivamente almejar o fim completo, até 2020, do desmatamento e degradação das florestas naturais, bem como das emissões relacionadas.  Esta meta implica em um compromisso para prover fundos suficientes.
  • A CoP-16 deve ambicionar ainda estabelecer um Fundo Climático que receba a maior parte dos recursos de longo prazo e que disponha dos necessários mecanismos de governança que assegurem transparência, equilíbrio regional e permita à CoP decidir políticas, estabelecer prioridades e critérios de elegibilidade.  Deve, ainda, iniciar os processos necessários para assegurar novas fontes de financiamento público na CoP-17.  Deve, ainda, estruturar o comprometimento de US$ 100 bilhões estabelecido em Copenhague.
  • A CoP-16 deve imediatamente estabelecer os comitês e painéis necessários para: 1) desenvolver as capacidades necessárias para implementar as programas e prioridades nacionais de adaptação, tecnologia, REDD e mitigação; 2) desenvolver, na CoP-17, um objetivo tecnológico global e planos de ação globais para tecnologia para orientar os centros de tecnologia climática; 3) criar consenso em torno de um quadro para adaptação que alavanque rapidamente as ações em nível local, nacional, regional e internacional, assegurando o foco nas necessidades das populações e ecossistemas mais vulneráveis e pobres; 4) coordenar os esforços de adaptação.
  • A CoP-16 deve estabelecer um mandato para lidar com perdas e danos causados por mudanças climáticas extremas além dos limites da adaptação, as quais devem ser objeto de mecanismos específicos a serem criados na CoP-17.
  • A CoP-16 deve estabelecer um mandato que assegure clareza ao formato legal do resultado que deve ser atingido na CoP-17.  Como resultado mínimo, esse mandato legal deve incluir um segundo período de comprometimento do Protocolo de Quioto e concordância complementar sob a égide do LCA, incluindo compromissos de mitigação comparáveis por parte dos EUA, compromissos financeiros por parte dos países desenvolvidos e ação, por parte dos países em desenvolvimento.  Juntos, esses caminhos devem produzir um resultado legalmente vinculante de acordo com o princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas.

O que é mais provável que aconteça na CoP-16? Haverá alguma decisão relevante ou corremos o risco de não haver "caminhada adiante"  e isso comprometer a UNFCCC?

É possível obter Decisões da CoP sobre muitas coisas: REDD, Adaptação, Finanças, Tecnologia e outras. Mas sobre as grandes questões (nível de ambição dos países do Anexo I, tanto em redução de emissões quanto em compromissos de transferência de recursos financeiros; manutenção dos dois caminhos e o 2º período de compromisso), o processo das negociações multilaterais está em risco, sim.

O que certamente não será objeto de decisão na CoP-16 e eventualmente ficará para a CoP-17?

As decisões mais importantes ficarão para a CoP-17. E a mais importante de todas é o famoso Gigaton Gap, o Buraco Gigatonelada. Para garantir que as emissões globais nos mantenham numa rota de aquecimento global  inferior a 2ºC até 2100, quando comparada com os níveis da era pré-industrial, precisamos reduzir as gases de efeito estufa acumuladas na atmosfera a 44 GtCO2eq (Gigatoneladas de CO2 equivalente) ou 40 GtCO2eq para o objetivo mais ambicioso e seguro de 1,5ºC. Porém, examinando as promessas de reduções de emissões apresentadas pelos países no chamado “Acordo de Copenhagen” (que não tem validade legal), cientistas descobriram  que as emissões anuais em 2020 estão previstas em 47,9 a 53,6 GtCO2eq. Portanto, já estamos correndo atrás do prejuízo.

Outro ponto muito importante que corre o risco de não ser resolvido em Cancun é referente ao 2º Período de Compromissos do Protocolo de Quioto.

Em resumo, o que pode ser decidido na CoP-16 sobre finanças e clima?

Criação de um novo Fundo, sua estrutura, funcionamento e governança. Mas não acreditamos em aportes de recursos neste momento, apesar da promessa dos países industrializados de fornecer 10 bilhões de dólares por ano, entre 2010 e 2012.

Qual o risco de fracasso da CoP-16?

O risco é que as partes não reconstruam a confiança necessária para dar continuidade a um processo tão complexo e delicado como este.  Mas como todos países participarão sem o compromisso de fechar um acordo, ao contrário do que ocorreu na CoP-15, é possível que a Conferência consiga implantar os instrumentos e atividades necessárias para dar encaminhamento às negociações e fazer avançar as decisões.

Com a vitória dos republicanos nos EUA, o Vitae Civilis acredita que eles aderirão ao Protocolo de Quioto e/ou a um novo acordo climático?

Dificilmente os EUA aderirão a qualquer acordo, mas a CoP-16 dificilmente resultará em um acordo nos moldes que esperávamos ver ao final da CoP-15, portanto é possível que os negociadores avancem nos documentos, pois não haverá ainda um compromisso firme, deixando para a próxima CoP a necessidade de equacionar política nacional e acordo internacional.  Certamente não serão ousados, mas talvez não travem a negociação para não correr o risco de ficar com o ônus de um eventual fracasso do encontro.

O Vitae Civilis acredita que a China repetirá sua postura de embargo às negociações?

A China é pragmática, mas teve sua imagem muito arranhada ao final da última CoP. E todos temos visto como, ao longo de 2010, o país tem empreendido esforços  para migrar para uma plataforma mais limpa de energia, o que sinaliza que entenderam o recado dos cientistas e da opinião pública.  Certamente não liderarão nenhum grande avanço, podem ainda obstruir a questão do MRV, mas é bem provável que queiram empreender um esforço de Relações Públicas mais forte para neutralizar a má imagem que ficou da CoP-15.

Qual será a postura dos negociadores brasileiros, na opinião do Vitae Civilis?

O Brasil chega à CoP-16 com uma imagem relativamente boa, dado o comprometimento demonstrado pelo presidente Lula nos últimos dias da CoP-15.  Mas os negociadores já sinalizaram que tendem a adotar um comportamento menos ousado agora.   Na reunião preparatória ocorrida na China, chegou a assumir posturas claramente contrárias ao avanço das negociações, em nome do G77.   Para Cancun, é possível que o Brasil lute para ganhar relevância nas decisões, pois o mundo estará olhando prioritariamente para China e EUA.  É bem possível que o Brasil queira dar vazão à sua ambição diplomática e, como tal, empreenderá esforços para o sucesso da CoP-16.  Mas esta não será uma CoP de decisões – o próprio ministro Celso Amorim já manifestou que não acredita em decisões sequer para a CoP-17.  Mas como ele também chamou a responsabilidade final para a Rio+20, em 2012, acabou sinalizando a ambição diplomática que o Brasil nutre por um papel relevante no desfecho das negociações.

2) REDD: o que existe de consenso e que poderá ser decidido em Cancun

REDD é um instrumento de mercado ou de política Pública?

REDD significa um campo de atuação para a Redução de emissões associadas ao desmatamento e degradação florestal. Para tanto, existem diversos instrumentos e esquemas, que podem ser exclusivamente de políticas públicas ou de mercado, ou uma mescla desses de acordo com a situação de cada país.

O que é REDD e REDD + ?

Primeiro é importante fazer uma clarificação entre REDD e REDD+. Esta diferenciação vem do famoso ponto e vírgula (;) no artigo 1 b iii do Plano de Ação de Bali: (REDD) - Criação de políticas e incentivos positivos com relação a questões referentes à redução de emissões provenientes do desflorestamento e da degradação florestal nos países em desenvolvimento; (REDD+) e o papel da conservação, do manejo sustentável das florestas e do aumento dos estoques de carbono das florestas nos países em desenvolvimento;

REDD se refere especificamente a Redução de Emissões de Desmatamento e Degradação de Florestas. REDD+ inclui REDD e ações como conservação, manejo sustentável e aumento de estoques de carbono em países em desenvolvimento.

Que controvérsias existem em relação a REDD+ e REDD?

REDD+ tem vários riscos perversos escondidos por trás das palavras. Vejamos um exemplo: o objetivo maior de REDD é manter as florestas naturais em pé - este é o principal motivo pela criação de “incentivos positivos”, ou seja, um mecanismo de compensação tornando a floresta natural em pé mais valioso que a derrubada. As florestas naturais são as florestas mais antigas e por conseqüência, as florestas com maior concentração de carbono. Mas, uma floresta natural poderá ser objeto de ações perversas. Um exemplo: exploração ilegal de desmatamento visando a comercialização da madeira, seguida pelo plantio monocultural de eucalipto, pinho ou palmeira e recebendo por isso “incentivos positivos”. Por estes motivos a inclusão de salvaguardas ambientais, sociais e de governança num mecanismo de compensação é fundamental.


A agricultura tanto pode ser um vetor positivo como negativo. Temos que manter o objetivo principal de REDD+ como princípio norteador de qualquer projeto agrícola.  A conversão de áreas degradadas (cerrado ou florestas) por atividades agrícolas seqüestradoras de carbono poderiam ser incluídas em REDD+. Quanto maior for o cumprimento deste ciclo do carbono, maior será o interesse na sua inclusão. Por exemplo, a recuperação florestal de uma área degradada e a sua futura exploração sustentável agro-florestal seria muito interessante. Em contrapartida, uma conversão de área degradada para a produção de soja seria menos interessante na medida em que o carbono seqüestrado seria liberado para a atmosfera muito rapidamente.


O financiamento das ações de REDD+ também é um ponto controverso. Um dos riscos maiores é referente ao valor dos certificados de redução de emissões no mercado. A inundação do mercado com projetos de REDD+ pelos países que têm grandes florestas como Brasil e Indonésia poderia produzir um efeito de excesso de oferta comparado com a demanda por parte dos países industrializados. Neste caso, o valor dos certificados tenderia a baixar.


Outro risco poderia ser que a questão ética referente à implementação destes projetos e o respeitos aos direitos dos povos indígenas, comunidades tradicionais e locais. Mercados sensíveis a estas questões como a Comunidade  Européia não vêem estes projetos com bons olhos.


O MDL tem proporcionado grande lucratividade aos investidores de carbono mas freqüentemente produz muito pouco em termos de reduções reais de emissões de gases de efeito estufa.
Os LDCs (Países Menos Desenvolvidos) temem ficar fora do mercado de REDD+ como aconteceu com o MDL. Isto ocorre porque os seus projetos são menores, pelo alto custo de implementação ou por falta de capacidade técnica.


Finalmente, existem, além dos pontos mencionados acima, dois pontos ainda não resolvidos e que contribuem para a lentidão no processo de negociação sobre REDD+ e divergências entre países e também entre as organizações da sociedade civil.

Vazamento e REDD: risco de transferência do desmatamento?

O primeiro ponto é a questão de “vazamento” ou “esvaziamento” (leakages) . Vazamento ou esvaziamento acontece quando os vetores de desmatamento foram eliminados por um projeto REDD+  numa certa área, mas o sistema permite uma tendência deste vetor procurar outra região para atuar. Por exemplo, se o vetor de pressão sobre uma floresta natural for a pecuária e o projeto REDD+ eliminar esta ameaça à respectiva floresta, o setor pecuária vai buscar outro lugar para se implantar, eventualmente outra área florestal para desmatar para fazer pasto. Com objetivos de REDD+  expressos em termos nacionais, há menos possibilidades de esvaziamento que objetivos sub-nacionais ou regionais.Pois bem, quando os objetivos de REDD+ são nacionais não haveria  esvaziamento porque o novo desmatamento seria fiscalizado e contabilizado. Mas com objetivos de REDD+ numa escala menor, uma escala regional ou sub-nacional, há maior risco do vetor de desmatamento se esvaziar sem ser descoberto.

Finanças e REDD

Outro ponto controverso diz respeito à origem do financiamento de longo prazo para os projetos REDD+. Para o financiamento de curto prazo, aquele que será necessário para os países em desenvolvimento se capacitarem para implantar projetos de REDD+ não há muita controvérsia. O consenso é que estes fundos devem ser de origem pública, financiados pelos governos dos países desenvolvidos. A controvérsia é referente ao financiamento de longo prazo, o financiamento que vai efetivamente pagar o “incentivo positivo”. Neste caso, países e sociedade civil estão divididos. Uns dizem que os fundos sempre devem ser de origem pública, outros dizem que o mercado privado deveria poder entrar. Os argumentos a favor e contra giram em torno de itens como: governança, transparência, monitoramento, soberania etc.

Finalmente há um temor por parte dos defensores de REDD+ que a nova proposta de regras para LULUCF (que é contar o desmatamento e câmbio do uso da terra a partir de uma linha de base de previsão de desmatamento futuro) possa vir a contaminar as regras de REDD+.  Ou seja, existem países, e a República de Congo é um deles, que têm florestas naturais que não estão sob ameaça de desmatamento. Para obter "benefícios" do mecanismo REDD+ eles "fabricariam" uma ameaça futura e receberiam recursos para proteger uma floresta que não estava sob ameaça. É uma área bastante contenciosa e creio não resolvida. Alguns chamam isso de "avoided deforestation" - desmatamento evitado. As soluções mais apropriadas para LULUCF seriam: a) "desde 1990" ou b)  uma linha  histórica.

Deverá ser possível obter um conjunto de resultados parciais sobre REDD+, incluindo: objetivo global até 2020 (talvez não chamaríamos de desmatamento zero, mas algo próximo), inclusão de "florestas naturais" no lugar de "cobertura florestal",  financiamento inicial (primeira fase) para capacitação e com fundos públicos, as salvaguardas sociais, ambientais e de governança tem chance de entrar num acordo em Cancun. Devem ficar fora de decisões em Cancun: contabilização nacional e/ou sub-nacional, financiamento de longo prazo, e valores de financiamento não devem ser acordados até que outras questões maiores sejam resolvidas (objetivo global de redução de emissões, compromissos nacionais de redução de emissões, e outros).

Que propostas as ONGs da  CAN tem sobre REDD?

O grupo de Trabalho sobre REDD+ da Climate Action Network – CAN tem a seguinte posição em relação aos resultados sobre REDD+ em Cancun. Todo o nosso esforço de advocacy é no sentido de alcançar estes resultados:

1.  Um objetivo global de eliminar desmatamento e degradação de florestas naturais em países em desenvolvimento até 2020.

2.  Um objetivo global para a conservação dos estoques atuais de carbono, cessar a conversão de florestas naturais, recuperação de florestas degradas e implantação por todos os países do manejo sustentável de florestas até 2020.

3.  Estes objetivos são contingenciados ao adequado, previsível e sustentável financiamento oferecido de forma transparente. Isto poderia ser em termos de um compromisso quantificado de US$15 a 35 bilhões em 2020.

4.  O financiamento inicial deveria priorizar capacitação

5.  Salvaguardas sociais, ambientais e de governança devem ser adotadas e sujeitas a um monitoramento independente verificável e relatado.

6.  Todos os países deveriam combater os vetores de desmatamento e degradação das florestas e não apenas os países em desenvolvimento.

É pouco provável que se obtenham resultados sobre: metas nacionais ou sub-nacionais; origem dos fundos de financiamento de longo prazo e salvaguardas ambientais, sociais e de governança. O maior risco de REDD neste momento é que as regras de REDD possam vir a ser contaminadas pela situação que se encontra o LULUCF.

3) Análise do rumo das negociações prévias da CoP-16 emTianjin, na China (outubro 2010)

Quais eram os assuntos principais de cada um dos AWGs na sessão em Tianjin?

O AWG-LCA continua trabalhando na preparação de um resultado a ser apresentado na CoP-16 para adoção com o objetivo de garantir a plena, efetiva e sustentável implementação da Convenção de Clima através de uma ação cooperativa de longo prazo até e para além de 2012. Este AWG foi dividida em 4 Grupos de Redação: a) Finanças, Tecnologia e Capacitação, b) Adaptação, c) Mitigação no que concerne o capítulo 1 b iii do Plano de Ação de Bali1 e d) Visão Compartilhada.

O AWG-KP, por sua vez, está focado em considerações sobre compromissos futuros para os países do anexo I do Protocolo de Quioto. Este AWG está organizado em três grupos de Contato: 1) Escala de redução de emissões – às vezes chamado o Grupo dos Números, 2) Outros assuntos e 3) Assuntos de natureza legal


1b iii do BAP é sobre  “Criação de políticas e incentivos positivos com relação a questões referentes à redução de emissões provenientes do desflorestamento e da degradação florestal nos países em desenvolvimento; e o papel da conservação, do manejo sustentável das florestas e do aumento dos estoques de carbono das florestas nos países em desenvolvimento”;


Havia textos de negociação? Preparados por quem ? Em que estágio?

No AWG-LCA a Chair, ou Presidente da Mesa, apresentou na reunião intersessional de Bonn, em agosto de 2010, um texto que foi aceito pelas Partes (Delegações dos Países) e assumido por eles como um texto base para ser aperfeiçoado e negociado. Desde a CoP-13 em Bali esta é a primeira vez que temos um texto de negociação no AWG-LCA. Em Tianjin os trabalhos continuaram neste texto, por meio dos Grupos de Redação.

No AWG-KP existe um texto que foi preparado pelo Chair, porém o mesmo ainda não foi apropriado pelas Partes.

Uma análise do estágio da negociação destes textos e uma avaliação do conteúdo tem que levar em conta os assuntos específicos e o mandato do respectivo AWG como também a relação técnica e política entre os dois AWGs. Isto, na terminologia das negociações, está sendo chamado “o espaço comum”. Em junho os Chairs dos dois AWGs propuseram a criação de um Grupo de Contato para tratar dos assuntos comuns à Convenção, por um lado, e o Protocolo, por outro. A proposta não obteve o consenso das Partes. Para se ter uma noção da importância do espaço comum, basta observar que seria aqui que se discutiria o objetivo global de redução de emissões de gases de efeito estufa, assunto da Convenção, e os objetivos nacionais de redução de emissões dos países do Anexo I do Protocolo.

Em matéria específica, o AWG-LCA foi induzido pela Chair a focalizar um conjunto de possíveis Decisões da CoP. No meio da semana, ela apresentou aos Delegados um documento de uma página com o título “Possíveis elementos de um resultado em Cancun”.  O mesmo foi aceito como base de discussão, mas até o final das negociações no dia 9 de outubro tinha-se avançado muito pouco.

No AWG-KP a grande polêmica girou em torno do LULUCF e as regras de funcionamento referente à contabilização do desmatamento pela indústria madeireira. O que se pede é que os países sejam responsáveis pelo seu desmatamento de forma que tudo que cortam seja contado. Para isso é preciso ter uma linha base contra a qual se compara a cobertura florestal. Sem entrar no aspecto técnico do assunto pode-se dizer que a regra que provavelmente será aprovada é uma em que cada país define uma linha futura de desmatamento como base de comparação. Isto abre a porteira para uma serie de possibilidades que acabariam mascarando ou, no mínimo, permitindo desmatamento sem ter que prestar contas, pois um país pode fazer uma linha futura crescente suficiente para que todo seu desmatamento previsto fique abaixo dela.  A manutenção desta proposta pode comprometer tudo que se ganha com outras ações de mitigação.

Que polêmicas ou resistências persistem ou continuam a impedir progresso? Que blocos ou países estão envolvidos nas posições que impedem progresso?

No início da semana, a palavra que mais se ouvia era “balanced” ou equilibrado.  Nas plenárias finais, a palavra de ordem era “desapontamento”.


No AWG-KP, o Brasil está apoiando a proposta de LULUCF e usando a força do G77+China e particularmente a Indonésia, com o objetivo de não gastar mais tempo discutindo as regras de LULUCF. O motivo desta posição é concentrar toda a discussão sobre o “Grupo de Contato dos Números”. Este Grupo está discutindo o nível de ambição das reduções de emissões no 2º período de compromisso. Tanto é que o Brasil, em nome do G77+China, impediu a discussão de todos os outros assuntos referentes às opções no texto do Chair. Numa reunião diária da CAN foi feita a proposta de dar ao Brasil um fóssil por ter bloqueado o processo e o prêmio só não foi concedido porque houve a confirmação de que Brasil estava falando pelo G77+China e não por si só.  Mesmo assim, Brasil foi severamente criticado, e com razão, criando insatisfação dentro do G77+China e dissabores com outros Grupos como AOSIS, LDCs e o Grupo de África que queriam discutir outras matérias referentes ao KP.

Os Estados Unidos estão usando muito o termo “resultado equilibrado” em Cancun, mas naturalmente “equilibrado” para eles significa que contem os elementos equilibrados do Acordo de Copenhagen. Para outros, “equilibrado” significa equilíbrio entre os dois caminhos de negociação o AWG-LCA e o AWG-KP. Também há aqueles que acham que equilibrado quer dizer que o resultado deve contemplar todos os elementos do plano de ação de Bali. E por aí vai.

A União Européia tem mantido uma postura muito aquém da liderança que poderia retomar, mas não a faz.

O Grupo dos Países Africanos já disseram em off que se certas questões como financiamento imediato não for resolvido “Cancun will be very interesting”, o que pode ser lido como uma velada ameaça de abandonar as negociações.

Que posições CAN ou GCCA defenderam em Tianjin e o que propõem para a CoP-16?

A CAN já tem uma posição elaborada que se chama “Cancun Building Blocks Essentials steps on the road to a Fair, Ambitious and Binding deal” (http://www.climatenetwork.org/) que é uma atualização pós-Copenhagen do documento FAB preparado em 2009 para CoP-15. O texto da minha intervenção no Plenário de Abertura dos trabalhos do AWG-KP resume numa página a posição da CAN com respeito ao KP.

 

 

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Forrageiras contra mudança climática

http://www.envolverde.com.br/fotos_novas/83733.jpgDuas forrageiras, uma gramínea e uma leguminosa, oferecem opções para que os pecuaristas colombianos reduzam a poluição causada por suas reses.

Bogotá, Colômbia, 22 de novembro (Terramérica).- A Colômbia, com 24 milhões de cabeças de gado, apresenta dois avanços para reduzir os 13% de gases causadores do efeito estufa que se atribui à indústria planetária de ruminantes. As palavras-chave: brachialactona e Lotus uliginosus. A brachialactona, um composto químico descoberto neste país andino nas raízes do pasto africano Brachiaria humidicola, dá a esta gramínea o atributo de evitar que o óxido nitroso, um poderoso gás-estufa, suba para a atmosfera.

Este composto é capaz de aumentar a fixação microbiana do nitrogênio atmosférico e também de inibir a nitrificação biológica, parte do ciclo natural do nitrogênio, o que definitivamente pode reduzir a contaminação de gases que estão causando o aquecimento global. Na sede mundial do famoso Centro Internacional para a Agricultura Tropical (Ciat), perto da cidade colombiana de Palmira, há cerca de 30 anos foi observado que a pastagem brachiaria inibia a nitrificação biológica.

O motivo não era conhecido, até que, este ano, os cientistas encontraram e caracterizaram a brachialactona, no Programa de Forragens Tropicais do Ciat, junto com seus colegas do Centro Internacional de Pesquisa para as Ciências Agrícolas e do Instituto Nacional de Pesquisa em Alimentos, ambos do Japão. A brachialactona é liberada em solos onde predomina a amônia, que desencadeia e mantém sua produção.

A América Latina tem cerca de 80 milhões de hectares de pastagem brachiaria. Por isso, o Ciat e seus associados estudam generalizar sistemas mistos de cultivos forrageiros e gado, dominados pela amônia e que incluam pastagens com capacidade moderada ou alta de inibir a nitrificação biológica. Assim, os pastos brachiaria poderiam ser a solução para uma pecuária sustentável e com impacto ecológico mínimo, disse em um comunicado o nutricionista de plantas do Ciat, Idupulapati Rao.

A alimentação com brachiaria na pequena pecuária do sudeste asiático teve sucesso, segundo o Ciat, que afirma que se trata de um pasto nutritivo e que agrada ao gado. Nos trópicos, onde não existem estações, a brachiaria é cultivada em áreas quentes e temperadas (de zero a 1.800 metros de altitude), disse ao Terramérica um cientista relacionado com a pecuária que não quis ser identificado.

É uma pastagem muito rústica, apta para solos de baixa e média fertilidade e resistente às inundações e à seca. Na Colômbia existem entre cem e duzentos tipos de brachiaria. Entretanto, segundo este especialista, não são desejáveis por serem agressivos colonizadores. Além disso, não é que o gado prefere estas pastagens, simplesmente as comem se não há mais nada. Contudo, admitiu que a descoberta da brachialactona terá “muita utilidade”.

De fato, a Federação Colombiana de Pecuarista (Fedegan) prefere a plantação de pastagens autóctones, que não necessitam ser replantadas e são muito mais resistentes a pragas e doenças. A Fedegan não se deu bem com a espécie humidicola, diz um documento desta associação de produtores ouvida pelo Terramérica. Em um teste de germinação de uma semana, brotaram apenas 3% das sementes de humidicola, contra uma média de 64% de outras cinco forrageiras, quatro delas brachiarias.

Se a humidicola é lenta para germinar, o Lotus uliginosus, uma pequena leguminosa usada também com forragem, é lenta para se expandir ou estabelecer-se em um pasto. A propriedade do Lotus é que reduz no intestino bovino a formação de metano, outro potente gás-estufa.

Assim demonstraram sucessivas pesquisas desenvolvidas durante 13 anos por 21 estudantes de zootecnia e quatro de mestrado em produção animal, dirigidos pelo professor Edgar Cárdenas, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade Nacional da Colômbia. Seu trabalho de pesquisa climática se desenvolve em acordo com várias universidades, com a Massey University da Nova Zelândia.

“Uma vez estabelecido, o Lotus é uma planta perene que não necessita ser replantada. Precisa apenas de fertilizações mínimas, diferentes da fertilização com ureia, que tantos danos causa ao meio ambiente”, disse Edgar ao Terramérica. Este pasto neozelandês adapta-se bem a terras altas e frias dos Andes, entre dois mil e três mil metros de altitude. “Uruguai e Argentina têm um banco genético imenso de Lotus”, disse Edgar, especializado em meio ambiente e gases-estufa. Junto com o Paraguai, estes países possuem grandes extensões da leguminosa.

Ao ser ingerido pelo gado, o Lotus diminui radicalmente a eliminação de nitrogênio (gerador de óxido nitroso) pela urina e reduz a liberação de metano, própria da digestão dos ruminantes. A proteína do Lotus não se degrada, sendo absorvida pelo intestino do animal. As vacas produzem cinco litros de leite a mais por dia, e este apresenta “14% mais proteína e 11% mais gordura”, segundo Edgar.

O Lotus foi apresentado em sociedade em setembro, durante um dia de campo com mais de 600 pecuaristas em uma fazenda privada da savana de Bogotá. Os produtores “estavam emocionados”, recordou Edgar, “vendo os resultados da produção de leite. Ficaram maravilhados. A pergunta do milhão é quando vão querer adotá-la. Isso depende de cada pecuarista”

Os produtores dizem que esta pastagem, dependendo de como é semeada, demora entre seis e nove meses para se estabelecer, em comparação com os dois ou três meses de outras espécies. Edgar respondeu que “o imediatismo pecuário não os faz pensar de forma sustentável, mas de curto prazo. Todos querem para já”, o que não lhes permite ver que, com o Lótus, “podem reduzir a aplicação de fertilizantes nitrogenados” e economizar dinheiro no médio prazo.

Enquanto renovar as pastagens com raigrás (gramínea do gênero Lolium) custa US$ 675 por hectare, com o Lotus a despesa cai para US$ 512. A manutenção de uma pradaria mesclada com raigrás tem custo de US$ 2.920 por hectare, enquanto com Lotus é de apenas US$ 620, segundo Edgar. Contudo, o professor não gosta dessas contas pois, segundo disse, o x da questão é reduzir as emissões de gases-estufa, que também afetam o potencial exportador da pecuária. “Hoje, para poder exportar, os mercados internacionais impõem a restrição da pegada de carbono. Um produto com alta taxa de emissão de gases-estufa não é comprado no exterior e nunca exportaremos, porque nossa pecuária é alta emissora”, alertou.

* A autora é correspondente da IPS.

Crédito da Imagem: Neil Palmer-Cortesia CIAT

Legenda: Cultivo experimental de brachiaria na sede colombiana do Ciat.

LINKS

Como expiar os pecados da carne bovina
http://www.tierramerica.info/nota.php?lang=port&idnews=2838

O custo climático de um copo de leite
http://www.tierramerica.info/nota.php?lang=port&idnews=2876

Clima cronometrado – Cobertura especial da IPS Notícias, em espanhol
http://www.ipsnoticias.net/_focus/cclimatico/index.asp

Centro Internacional para a Agricultura Tropical, em espanhol e inglês
http://webapp.ciat.cgiar.org/inicio.htm

Centro Internacional de Pesquisas em Ciências Agrícolas do Japão, em inglês
http://www.jircas.affrc.go.jp/

Universidade Nacional da Colômbia, em espanhol e inglês
http://www.unal.edu.co/index.html

Artigo produzido para o Terramérica, projeto de comunicação dos Programas das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribuído pela Agência Envolverde.

(*) Por Constanza Vieira* (Envolverde/Terramérica)

Prefeitos concordam em reduzir emissões

http://www.envolverde.com.br/fotos_novas/83762.jpgPrefeitos de 135 cidades ao redor do mundo assinaram no domingo um pacto voluntário para reduzir as emissões de gases do efeito estufa e outras medidas para lidar com as mudanças climáticas, um importante marco antes da conferência climática da ONU que inicia na próxima semana.

O acordo foi fechado em um encontro direcionado à discussão de questões econômicas e sociais na Cidade do México e contou com a participação de cidades como Curitiba, Buenos Aires, Bogotá, Joanesburgo, Los Angeles e Paris.

As cidades terão que publicar anualmente um relatório com o progresso das suas ações para o Carbon Cities Climate Registry (CCCR) localizado em Bonn (Alemanha).

Cada cidade “terá que registrar seus dados climáticos (compromissos e desempenho) no memorando climático da cidade” durante os próximos oito meses, comentou o presidente da ONG mexicana Fundação Think Gabriel Sanchez segundo a AFP.

O prefeito da cidade mais poluída do mundo, a capital do México, Marcelo Ebrard anunciou na semana passada uma meta de redução das emissões de gases do efeito estufa de 14%.

Ele comentou durante o encontro que um dos componentes críticos para garantir o sucesso da iniciativa é a disponibilização de recursos financeiros.

“Os prefeitos acreditam que se os recursos financeiros estiverem disponíveis através de transferências dos países desenvolvidos para os em desenvolvimento, uma porção significativa deste dinheiro deve ser repassado para as cidades e governos locais para implementar programas climáticos”, enfatizou.

O acordo segue o modelo da iniciativa de governadores chamada R20, Regiões de Ação Climática, lançada na semana pelo governador da Califórnia Arnold Schwarzenegger.  A missão desta iniciativa é desenvolver e executar projetos de baixo carbono e de energia verde através da cooperação de governos subnacionais ao redor do mundo.

Cidade Verde

Durante o encontro ir divulgado o Latin America Green City Index (Índice de Cidades Verdes da América Latina), no qual Curitiba ficou em primeiro lugar.

A capital paranaense ficou à frente de Buenos Aires, Santiago, Medellín, Bogotá, Quito, Guadalajara, Monterrey, Puebla, Cidade do México, Lima, Montevidéu, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília e Porto Alegre.

O estudo na América Latina envolveu cidades de oito países e permitiu avaliação de itens como transporte, qualidade do ar, energia e emissões de gás carbônico, coleta de lixo, saneamento, água, gestão ambiental e uso do solo.

(*) Por Fernanda B. Müller, da Carbono Brasil - (Fonte: Envolverde/Carbono Brasil)

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Pesquisa mostra consumidor mais ligado a causas sociais

Saiu mais uma pesquisa com o consumidor, desta vez para checar o quanto ele está atento ao envolvimento das empresas com causas sociais. Ela foi realizada pela agência StrategyOne por meio de entrevistas de 20 minutos junto a 7.259 adultos de 13 países como Brasil, Canadá, China, França, Alemanha, Itália, Índia, Japão, México, Holanda, Emirados Árabes, Reino Unido e Estados Unidos. E mais uma vez o consumidor brasileiro se destaca como um dos mais antenados ao tema.

De acordo com os resultados da pesquisa, o brasileiro tem alta predisposição para valorizar, recomendar e manter-se leal a marcas cuja atuação relacionada a propósitos seja consistente.  A percepção de que as organizações atuam de forma genuína sobre propósitos subiu de 46% para 64% entre o levantamento feito em 2007 e este, de 2010. Dentre as marcas cujo legado positivo já se faz presente figuram Natura, Omo, Ypê, Nestlé e Coca-Cola.

No país, 64% consideram-se mais engajados diante dos 34% da média global. O consumidor local também se diz mais consciente sobre empresas que, além de buscarem resultados financeiros, envolvem-se genuinamente em temas de interesse social. O brasileiro mostra-se predisposto a confiar, promover e comprar produtos de organizações cujas práticas e ações pautam-se por princípios e valores concretos.

Outros números interessantes da pesquisa no Brasil:

  • 84% dos brasileiros acreditam que, juntos, marcas e consumidores podem fazer mais por uma causa do que se atuassem de modo separado. Mais uma vez, fico na dúvida se isso pode ser chamado de consciência ou de puro e simples bom senso.
  • 82% dos respondentes acreditam que marcas devem divulgar sua atuação em causas para elevar o nível de conhecimento público sobre tais iniciativas. Concordo!
  • 80% tendem a recomendar marcas que apoiam boas causas em detrimento das que não o fazem.  
  • 74% trocariam de marca se uma outra, de qualidade similar, apoiasse uma boa causa.
  • 94% dos consumidores acreditam que a atuação sobre propósitos deve equilibrar interesses sociais e de negócio.
  • 76% creem que não basta às corporações simplesmente transferir dinheiro para causas; elas devem integrar os propósitos às suas estratégias e rotinas de negócio. Esse dado me chamou a atenção porque em pesquisa recentemente sobre sustentabilidade divulgada pela Market Analysis, esta parece ser uma preocupação mais prevalente entre formadores de opinião do que entre consumidores. Bom perceber que na questão social essa percepção já está mais arraigada.
  • 72% gostariam de trabalhar para uma companhia se ela apoiasse ativamente uma causa. •
  • 60% investiriam em uma companhia socialmente ativa.
  • 52% confiam nas instituições governamentais. :0

(*)por Silvia Dias — Fonte: http://www.revistasustentabilidade.com.br/blogs/pecados-verdes/pesquisa-mostra-consumidor-mais-ligado-a-causas-sociais

 

Acre, Califórnia e Chiapas dão primeiro passo para acordo sobre REDD

Estado amazônico deve ser beneficiado com a venda de créditos de carbono. Iniciativa pode influenciar negociações internacionais sobre mudanças climáticas

Oswaldo Braga de Souza, ISA

Os governos do Acre, Califórnia e Chiapas (México) assinaram ontem, em Davis (EUA), um memorando de entendimento para discutir as bases de um possível acordo de comércio de créditos oriundos de iniciativas de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD). A ideia é gerar créditos de carbono a partir de projetos de reflorestamento, recuperação e manejo florestais no Acre e em Chiapas e vendê-los na Califórnia dentro de um sistema de compensação de emissões de gases de efeito estufa. (Veja o documento na íntegra, em inglês).

O memorando cria um grupo de trabalho com representantes dos três estados para discutir, até outubro de 2011, critérios de avaliação e aprovação de projetos de REDD. As recomendações serão submetidas à agência californiana relacionada às mudanças climáticas, mas o documento afirma que elas devem ser elaboradas de forma a auxiliar o desenvolvimento de programas de REDD em outros países.

Em janeiro de 2012, passa a vigorar a legislação sobre clima, com metas de redução de emissões, que vai regular a comercialização de créditos de carbono na Califórnia. De autoria do governador republicano Arnold Schwarzenegger, a lei foi referendada em plebiscito nas últimas eleições legislativas dos EUA, perdidas pelo governo democrata do presidente Barack Obama.

“O governo federal ainda não definiu sua política de REDD e já há estados se antecipando. Isso reforça a necessidade de termos um marco legal nacional sobre esse tema”, afirma Márcio Santilli, coordenador do Programa de Política e Direito Socioambiental (PPDS) do ISA. Ele acha que o documento assinado ontem pode influenciar positivamente as negociações internacionais sobre mudanças climáticas. “Na ausência de regras definidas na ONU e na falta de perspectivas de aprovação da lei nacional dos EUA, o memorando é uma demonstração de que há demanda para REDD e de que os vazios legais sobre o assunto precisam ser preenchidos.”

A parceria é o primeiro resultado concreto da Força-tarefa dos Governadores sobre Clima e Florestas. Criada em 2008, ela reúne 14 estados e províncias do Brasil, EUA, México, Indonésia e Nigéria. A iniciativa é citada como referência no documento assinado ontem e é integrada pelos governos do Acre, Amapá, Amazonas, Pará e Mato Grosso.

“Buscamos consolidar o desenvolvimento sustentável por meio de uma economia de baixo carbono e alto capital social. Essa parceria possibilitará nossas economias crescerem e enfrentarem as mudanças climáticas”, afirmou o governador do Acre, Binho Marques.

A assinatura do documento coincide com a adoção pelo Acre, em outubro, de uma lei sobre o pagamento por serviços ambientais. A norma prevê incentivos para a proteção da floresta e a geração de créditos de REDD. Em 2008, o estado adotou uma meta de diminuição do desmatamento calculada com base na meta nacional de redução de 80% da taxa de toda a Amazônia até 2020.

Flexibilidade

Mesmo sem gerar obrigações legais entre os estados envolvidos, o memorando ganha importância frente o quadro desanimador das negociações internacionais causado pela polarização entre países ricos e pobres. Nos círculos diplomáticos, a expectativa é que um acordo com força de lei sobre mudanças climáticas não saia antes de dois anos.

“Abrir uma discussão sobre recomendações pode parecer vago. Mas a flexibilidade permitida pela ausência de vínculo jurídico pode possibilitar pular obstáculos que uma negociação mais formalizada poderia criar”, afirma Steve Schwartzman, diretor de Políticas de Floresta Tropical do Fundo de Defesa Ambiental (EDF, na sigla em inglês), organização não governamental que acompanha o tema nos EUA. O EDF saudou a parceria como uma “conquista histórica”.

Sócio fundador do ISA, Schwartzman diz que viabilizar um sistema interestadual de comercialização de créditos de carbono entre países vai depender muito de como será regulamentada a lei da Califórnia, mas acha que as perspectivas são boas. Ele acredita que o novo governo californiano eleito (democrata) deverá manter a orientação geral das políticas de meio ambiente da administração atual.

O diretor executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Paulo Moutinho, considera um avanço o fato da parceria focar esforços na definição de parâmetros práticos. Ele julga que as iniciativas sub-nacionais de regulamentar programas de REDD são importantes para gerar experiências-modelo, mas têm limites: “o limite em que será necessário estabelecer um regime internacional para remunerar os países tropicais pela conservação de suas florestas”.

Moutinho concorda que o memorando pode ter impactos positivos sobre as negociações internacionais e, ao mesmo tempo, precisa ser entendido pelo governo federal como uma sinalização política. “Acho que é uma oportunidade, uma janela que se abre. Se as ações do Acre e de outros estados forem integradas e ajudarem a criar um regime nacional de REDD, isso vai nos possibilitar cumprir a meta nacional de redução de emissões de gases de efeito estufa e entrar com o pé direito numa economia de baixo carbono”.

Com colaboração do EDF.

O que é REDD?

REDD é como foi batizado o mecanismo em discussão na Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática (UNFCCC, na sigla em inglês) para compensar os países em desenvolvimento por reduções em suas emissões oriundas do desmatamento e queimadas. Ele é considerado a grande contribuição potencial dessas nações para o próximo acordo internacional de clima. O termo REDD+ relaciona-se com necessidade de definir compensações também pela conservação da biodiversidade, manejo sustentável das florestas e o aumento dos estoques de carbono.

(*)Publicado:

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Foi criada em novembro de 2010 a Câmara Federal de Compensação Ambiental

Foi criada, no dia 04.11.2010, a Câmara Federal de Compensação Ambiental – CFCA (Portaria n.º 416 do Ministério do Meio Ambiente), que será composta por representantes do Ministério do Meio Ambiente, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, das associações de entidades estaduais e municipais de meio ambiente,dos setores industrial e acadêmico e da sociedade civil. A Câmara terá como atribuições estabelecer diretrizes para aplicação dos recursos de compensação ambiental no âmbito federal,auditar os procedimentos de cálculo da compensação ambiental, propor diretrizes para agilizara regularização fundiária de unidades de conservação, e deliberar,por meio de resoluções, acerca do cumprimento da legislação referente à compensação ambiental na esfera federal

 

Fonte: Boletim Ambiental-Brasil

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Articulado, Brasil prepara-se para nova rodada de discussão sobre mudanças climáticas

http://www.envolverde.com.br/fotos_novas/83615.jpgO mundo não vai acabar. Resfriamento e Aquecimento da Terra acontecem há 400.000 anos, como os cientistas já podem comprovar através das camadas glaciares. O que existe neste momento é uma infeliz coincidência do aquecimento natural com uma overdose de gases geradores do efeito estufa. No pico da história, a presença de CO2 e gás metano na atmosfera atingiu a marca de 290 ppm (partes por milhão); atualmente estão entre 360 e 450 ppm. É preciso que seja feito algo, agora. O Planeta tem capacidade de absorção de gases, mas não devemos abusar disto. É preciso congelar o nível de emissões e não aumenta-lo. A temperatura média na Terra é de 15 °C e subir este índice pode provocar consequências imprevisíveis

Essas são algumas das lições aprendidas durante o VII Curso sobre Comério e Negociações Internacionais para Jornalistas, realizado em São Paulo entre os dias 8 e 12 últimos. Coordenado pelo Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (ICONE), em parceria com o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI) e a FAAP – Fundação Armando Álvares Penteado, o curso teve palestras e debates de representantes de vários setores da vida nacional, com enfoque na mudança do clima.

Em 31 de dezembro de 2012 finda o compromisso do Protocolo de Kyoto, assinado em 1997 na tentativa de atenuar os efeitos humanos sobre o planeta, especialmente no que se refere aos efeitos dos gases geradores do efeito estufa (GEE), assim catalogados: CO 2 (dióxido de carbono), CH 4 (metano), N2O (óxido nitroso), HCFCs (hidrofluorcarbonos), PFHc (perfluorcarbonos) e SF6 (hexafluoruro de enxofre). A movimentação atual é para que os países signatários do protocolo consigam renovar o compromisso, inaugurando uma segunda etapa a partir de 1° de janeiro de 2013, rediscutindo novas metas para o também chamado carbono equivalente (Coe).

“Se até 2015 não conseguirmos equalizar as emissões, teremos um aquecimento insuportável e incontrolável”, advertiu Carlos Rittl, da ONG WWF Brasil. A exemplo de outros colegas, mostrou pouco otimismo sobre a COP16 que deverá reunir mais de 100 chefes de Estado, em Cancún (México), a partir do próximo dia 29. “A questão é política, não ambiental”. A frase, dita várias vezes por diferentes palestrantes, ganhou força na voz de Carlos Cavalcanti durante a mesa redonda do dia 12, quando o representante da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) lembrou que no Brasil as entidades de diferentes orientações convergem com facilidade sobre o tema, mas nos Estados Unidos (que se recusou a assinar o Protocolo, diga-se) a coisa é diferente. “Na Califórnia, por exemplo, propuseram até a suspensão dessa discussão enquanto o nível de desemprego estiver entre os 12% e 15%”, ilustrou, destacando que “a crise econômica tem levado os países do Hemisfério Norte a ser mais econômicos na resolução das questões ambientais”.

Diferentemente de Haroldo Machado Filho, do Ministério da Ciência & Tecnologia e de Gustavo Mozzer, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), o consultor Marco Fujihara (Key Associados) é de opinião que os acordos bilaterais para cumprimento de metas são mais factíveis que os multilaterais que vêm sendo tentados. “Na COP15, em Copenhage, assistimos a uma falácia dos sistemas multilaterais. Creio que no plano bilateral as coisas fluem melhor. Nós, no Brasil, por exemplo, poderemos nos apropriar de uma parte dos US$ 6,8 bilhões que o Banco Mundial disponibiliza para o financiamento de projetos. Aqui caberiam investimentos no setor florestal. Se temos 53% das potencialidades de todo o mundo, é hora de as transformarmos em coisas objetivas”, destacou Fujihara.

Assuero Veronez, da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), destacou que a dificuldade maior nessa discussão, em termos de Brasil, eram os números apresentados com base em um inventário desatualizado. “Com a atualização dos números fica evidente a queda da responsabilidade do setor agrícola brasileiro”, disse ele, a respeito das emissões de gases. Depois de destacar a facilidade de diálogo entre os interlocutores nacionais, Veronez classificou como “extraordinário” o esforço que vem sendo feito para a redução dos desmatamento (item no qual o país é duramente criticado pela comunidade internacional), saindo dos cerca de “ 25.000 a27.000 km 2 de área de desmatamento para atuais 4 ou 5 Km2 / ano”.

O etanol brasileiro mereceu elogios dos presentes. Na opinião de Haroldo Machado Filho (MC&T), o setor de transportes é o que terás maior crescimento em relação às emissões. “Não existe transporte público de qualidade em nenhuma cidade brasileira”, reconheceu. A exemplo de seu colega da Embrapa, defende o multilateralismo como “moldura” para formatar a discussão climática.

Finalizando, Gustavo Mozzer disse que todo esse processo de discussão das mudanças climáticas precisa estar internalizado pela iniciativa privada e o governo deverá desenvolver a capacidade de investir em políticas públicas a fim de possibilitar a mensuração das emissões.

* (*)Por Nélson Tucci*, da Plurale - http://www.plurale.com.br/index.php  - (Envolverde/Plurale)

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Brasil será líder na área energética, diz Rifkin

Jeremy Rifkin: "As atuais fontes de energia não estão disponíveis em qualquer lugar e a energia renovável distributiva é encontrada em qualquer metro quadrado do mundo"

 

Defensor de causas ambientais e de iniciativas de sustentabilidade empresarial, o economista americano Jeremy Rifkin é um ativista diferente. Professor da Wharton School, tradicional faculdade de administração dos Estados Unidos, sua militância se resume a aconselhar executivos de grandes corporações e chefes de Estado em todo o mundo. Já previu o esgotamento dos empregos por causa do advento de novas tecnologias e profetiza o fim da era do petróleo.

Aos 65 anos, Rifkin se dedica atualmente a ajudar a União Europeia a implantar o que chama de terceira revolução industrial. Trata-se de um plano que prevê a substituição, no longo prazo, do atual modelo energético baseado em combustíveis fósseis por fontes renováveis, com a tecnologia da internet como grande aliada.

O economista aposta que o Brasil será uma das lideranças globais na área energética nos próximos anos e terá papel fundamental na difusão de energia limpa na América do Sul. Segundo Rifkin, a adoção de novos modelos no setor energético é a principal receita da recuperação da economia mundial.

Rifkin estará em São Paulo nesta sexta-feira para participar do Prêmio Eco, iniciativa que premia ações empresariais de sustentabilidade. O evento é promovido pela Câmara Americana de Comércio (Amcham), com parceria do Valor.

Valor: Baseado em que o sr. diz que o mundo, hoje, passa por uma transição econômica?

Jeremy Rifkin: Nos últimos três anos, dois grandes eventos mostraram que estamos perto do fim da revolução industrial baseada nos combustíveis fósseis. O primeiro, em julho de 2008, veio quando o barril do petróleo atingiu US$ 147. Os preços explodiram e influenciaram a economia global, porque tudo que é produzido hoje no mundo vem dos combustíveis fósseis. Os alimentos triplicaram de preço, uma situação muito perigosa num contexto em que 40% da população mundial vive com renda inferior a US$ 2 por dia. Quando o poder de compra é afetado por causa do petróleo podemos sofrer com a paralisação do motor industrial no mundo inteiro. Esse foi o terremoto econômico, enquanto a crise financeira, que veio 60 dias depois, foi aquele abalo posterior ao primeiro tremor.

Valor: O outro evento, então, foi o colapso dos mercados financeiros?

Rifkin: Não, foi Copenhague. O momento em que a comunidade científica internacional alerta que o mundo acumulou tanto gás carbônico na atmosfera que caminhamos para riscos de mudanças catastróficas no planeta, talvez as maiores que os seres humanos já enfrentaram. O atual modelo de globalização baseado na indústria do carbono está chegando no limite. Já existem previsões de que em poucos anos o mundo já terá usado metade de suas reservas de petróleo, ou seja, vai ficar mais caro. O problema é que a energia continua vindo do carvão e dos combustíveis fósseis, China e Índia crescem com base nesse modelo. Mas se o preço do barril do petróleo chegar a US$ 147 de novo serão momentos de pânico. O mundo precisa de uma nova visão econômica, um plano revolucionário que seja poderoso o suficiente para superar riscos de crise.

Valor: Qual é o plano?

Rifkin: Se olharmos para a história, a convergência entre energia e comunicação gerou grandes impactos econômicos. No século XIX, quando a tecnologia de impressão se tornou mais barata, foi introduzido o sistema de escolas públicas no mundo todo, primeiro passo para a criação de uma força de trabalho letrada em massa, com habilidades para lidar com as complexidade das demandas energéticas da época - o carvão, o vapor. No século XX, o telefone se tornou instrumento de comunicação avançado para gerir e controlar a segunda revolução industrial, que marcou a era do petróleo e a do automóvel. Atualmente as tecnologias baseadas nessas energias estão se tornando velhas rapidamente. O mundo precisa de renovação, por isso estamos no limiar da terceira revolução industrial. A internet aparece como tecnologia de comunicação revolucionária, porque é distributiva e colaborativa, enquanto a impressão, a TV, o rádio eram centralizadas. Isso é uma peça-chave para a tendência dos negócios atualmente.

Valor: Qual a relação entre internet e o fim da era do petróleo?

Rifkin: Minha ideia é que esse modelo colaborativo e distributivo da internet possa ser convergente com novos regimes de distribuição de energias renováveis. Isso torna a ideia de terceira revolução industrial poderosa, porque terá um efeito multiplicador em todo o mundo, num processo que será liderado por Índia, Brasil e União Europeia.

Valor: Já está em andamento?

Rifkin: A União Europeia já se comprometeu com um planejamento bastante ambicioso de infraestrutura na direção da terceira revolução industrial. Eu sou um privilegiado por participar. A grande meta é passar a usar 20% de energia renovável na Europa até 2020. É uma corrida contra o tempo, governos e empresas já estão trabalhando.

Valor: Como funciona essa terceira revolução industrial?

Rifkin: As atuais fontes de energia, como carvão, petróleo e urânio, são de elite, não estão disponíveis em qualquer lugar, demandam investimentos políticos, militares e de capital. Já a energia renovável distributiva é encontrada em qualquer metro quadrado do mundo. Vem do sol, do vento, do calor debaixo do solo, do lixo, dos compostos orgânicos gerados pelos processos agrícolas, das marés e das ondas do mar. Mas o importante é coletar nossa própria energia. Em 25 anos, milhões e milhões de prédios no mundo inteiro poderão ser convertidos em miniusinas, utilizando o sol, o vento, o calor debaixo do solo, para gerar energia limpa em forma de hidrogênio, que será armazenado como uma mídia digital. A forma de distribuição será inteligente e compartilhada como a internet, as redes de transmissão de energia renovável serão integradas.

Valor: Na contramão do que o sr. fala, o Brasil está entrando em uma nova era do petróleo, com as descobertas da camada pré-sal.

Rifkin: O Brasil tem muita sorte em relação aos outros países do mundo e um poderoso papel no campo energético, principalmente na região onde está. Seu potencial energético limpo o transformará numa grande liderança mundial. O pré-sal tem de permitir uma transição limpa, usando as receitas do petróleo para subsidiar a construção da infraestrutura de energia renováveis. O país pode liderar esse processo na América do Sul.

 

Apesar de cortes, Europa investe em energia limpa

De São Paulo

16/11/2010

 

Jeremy Rifkin passou a última década como conselheiro da União Europeia para assuntos de economia, mudanças climáticas e segurança energética. Antes da crise, o Parlamento Europeu aprovou sua ideia de terceira revolução industrial, que cria um modelo econômico baseado em energias renováveis. Agora, num momento de recuperação, o economista americano diz que os governos europeus não estão apenas tomando medidas de austeridade. Apesar do aperto, há recursos para o planeta.

"A Europa está se saindo muito melhor que os Estados Unidos, não vejo evidências de melhora da economia americana no curto prazo. A Europa é a grande força política no mundo hoje e está comprometida com uma transição econômica. Está colocando dinheiro nos projetos de economia de baixo carbono. Se os EUA decidir cortar estímulos e deixar o mercado resolver o problema, daqui um ano haverá pânico", acredita Rifkin.

Ele destaca a criação de um fundo público e privado de € 8 bilhões para projetos de armazenagem de hidrogênio no formato de mídia digital, com a energia distribuída pela internet. Rifkin estima em € 1 trilhão os investimentos em dez anos para a implantação de um modelo de geração de energia renovável na Europa.

Acostumado a falar aos ouvidos da chanceler alemã, Angela Merkel, e do presidente francês, Nikolas Sarkozy, ele diz que seu conselho mais valioso é "pensamento de longo prazo". "O governo precisa ser eficiente, somente o mercado não pode criar a infraestrutura necessária para a recuperação econômica. É preciso cultivar o pensamento de longo prazo, olhar para a frente e perceber que estamos passando por um período de grandes transformações no mundo."

Rifkin também recomenda uma agenda de trabalho conjunto entre governos, empresas e sociedade. "Digo aos presidentes que eles precisam trabalhar em parceria para incentivar um novo modelo de infraestrutura, para ser colocada em prática nos próximos 10, 15 ou 20 anos. Se o olhar for de curto prazo, é bem provável que podem se perder oportunidades de investimento em opções que vão gerar milhões de empregos num cenário de crescimento sustentável". (LM)

Fonte: Luciano Máximo|De São Paulo  VALOR 16/11/2010

Califórnia fecha acordo com estados brasileiros e mexicanos sobre REDD

A Califórnia chegou a um acordo com estados no México e Brasil para projetos piloto de proteção das suas florestas em troca de créditos de carbono sob a iniciativa climática do governador Arnold Schwarzenegger.

 

Schwarzenegger utilizará o seu ultimo Seminário Global Climático dos Governadores como plataforma para anunciar os acordos, que resultarão na geração de créditos de carbono REDD para o uso como compensação de emissões no esquema de comércio californiano, que deve iniciar em 2012.

 

Os governadores do Acre e Chiapas, sudestes mexicano, assinarão os acordos esta semana em um encontro na Universidade da Califórnia, em Davis.

 

Os acordos de desmatamento evitado ainda devem ser aprovados pelo Air Resources Board da Califórnia, a agência que supervisiona as regras para o comércio de emissões. No mês passado o ARB divulgou uma minuta com regras generosas para a compensação das emissões.

 

Estados e províncias de mais de 20 países estão em Davis para discutir programas de financiamento da redução das emissões por desmatamento e degradação e também no setor industrial e geração de energia.

 

Traduzido por Fernanda B. Muller, CarbonoBrasil - 16/11/2010 -  Fonte: Carbon POsitive

Comissão aprova compensação por gases estufa na Copa 2014

A Comissão de Turismo e Desporto aprovou, nesta quarta-feira, a neutralização - por meio de ações efetivas de compensação ambiental - das emissões de gases de efeito estufa geradas pelas atividades da Copa do Mundo de Futebol de 2014 no Brasil.

A medida está prevista no Projeto de Lei 7421/10, do Senado. O relator, deputado Paulo Henrique Lustosa (PMDB-CE), argumentou pela sua aprovação com dados divulgados em audiência pública realizada pela comissão em julho.

Segundo ele, a sustentabilidade ainda não estaria integrada ao projeto inicial da Copa no Brasil. “Até o momento, não há indicações de que o bem sucedido programa Green Goal, criado pela Alemanha para a Copa de 2006, será aplicado para a Copa de 2014.”

O balanço dos resultados obtidos com o Green Goal constatou a redução de 20% na quantidade de resíduos produzida nos estádios e nos arredores; a diminuição de 20% no uso de energia nos estádios, por causa da utilização de energias renováveis; e o aumento do uso do transporte público. Isso possibilitou a redução de 19% dos gases poluentes.

Muito lixo

O deputado Paulo Henrique Lustosa ressalta que mega eventos como o Mundial de Futebol geram grande quantidade de lixo. Segundo o parlamentar, uma ação que pode ser realizada para minimizar o impacto ambiental é a reciclagem rápida dos resíduos recolhidos depois dos jogos.

"Ter mecanismos para garantir a rápida reciclagem e tratamento desses resíduos, associados ao projeto do evento, é uma forma objetiva de já garantir a compensação ambiental”, avalia o deputado. “Além da possibilidade de uso de fontes alternativas de energia e de reciclagem da água consumida.”

Ele dá como exemplo um projeto de estádio em que a água usada nos bebedouros seja reaproveitada para irrigar o campo onde o jogo vai ser jogado. “Há soluções de engenharia e de reciclagem que devem ser acopladas aos projetos para diminuir o impacto ambiental e aumentar a sustentabilidade do evento."

Comprometimento do Parlamento

Paulo Henrique Lustosa também afirma que a aprovação do projeto demonstra o comprometimento do Parlamento brasileiro com a sustentabilidade da Copa.

Pelo projeto, o dinheiro arrecadado com a comercialização dos créditos de carbono provenientes dos eventos da Copa serão divididos igualmente entre o Poder Público e o responsável pelo evento. As verbas do Poder Público deverão ser empregadas em campanhas educativas sobre as mudanças climáticas no mundo.

Tramitação

O projeto, que tramita em caráter conclusivo, ainda precisa ser analisado pelas comissões de Meio Ambiente; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça.

Edição - Newton Araújo  (Envolverde/Agência Câmara)