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sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Campanha coleta e paga por óleo de cozinha usado

A Prefeitura de Presidente Venceslau lançou uma nova campanha ambiental que pretende coletar óleo residual de cozinha. A iniciativa é viabilizada em parceria com a empresa Óleo & Óleo Ltda., da cidade de Lins, e visa incentivar a população para que se faça a destinação correta do óleo de cozinha usado, comumente jogado em pias, ralos, no lixo, e até mesmo diretamente no solo, causando infiltração e acarretando a contaminação do lençol freático.

O lançamento ocorreu na sexta-feira à noite na Câmara Municipal e foi acompanhado pelo prefeito Ernane Erbella, por diretores municipais da Prefeitura, vereadores e populares. A ação faz parte do Projeto “Município Verde-Azul” e também atende a uma indicação feita pelo vereador Serafim Gomes Ferreira.

A campanha ainda gratifica em dinheiro as pessoas a aderir. A cada seis litros de óleo de fritura usado entregues nos ecopontos em garrafas, tipo pet, de 2 litros, é possível trocar por 900 ml de óleo de soja novo ou ainda por um bônus, no valor de R$ 0,40 por cada litro. Foram definidos como ecopontos os supermercados Pinheirão, Pinheirão Master, Pires, Ulian e Hamada.

“Vamos mobilizar desde a dona de casa até empresários proprietários de estabelecimentos como bares, restaurantes, lanchonetes e buffets para que se engajem nesta campanha. Cuidar da natureza é dever de todos e desta maneira colocamos em prática o compromisso com a preservação do meio ambiente”, explica o diretor da Divisão de Agricultura, Abastecimento e Meio Ambiente (Daama), Álvaro Carlos da Silva.

O prefeito Ernane Erbella mencionou a importância da população em participar da campanha. “É uma iniciativa positiva que se reverte em benefícios para o meio ambiente e, por consequência, para toda a nossa geração e às que virão”, disse. De acordo com o prefeito, Venceslau tem se destacado nos temas de conscientização e preservação ambiental com campanhas como a de coleta seletiva de recicláveis, de recolhimento de lixo eletroeletrônico e a recém-lançada coleta de óleo de cozinha usado.

Ernane Erbella citou ainda os benefícios diretos da campanha para com a infraestrutura urbana e o meio ambiente. “Evitando que se descarte o óleo usado nas pias, diminuiremos consideravelmente a manutenção causada por entupimentos na rede de esgoto. Um dado preocupante é que com apenas um litro de óleo usado jogado no meio ambiente se contamina aproximadamente um milhão de litros de água potável”, disse.

Todo o óleo coletado durante a campanha será periodicamente recolhido para reciclagem pela Óleo & Óleo Ltda. que, por sua vez, repassará à JBS Biodiesel, sendo esta uma divisão pertencente à JBS, a maior empresa em processamento de proteína animal do mundo, que atua nas áreas de alimentos, couro, produtos para animais domésticos, biodiesel, colágeno, latas e produtos de limpeza.

O diretor executivo da Óleo & Óleo, Eduardo Pacheco Calissi, esteve no lançamento da campanha e fez uma exposição técnica sobre os trabalhos da empresa, de como o óleo usado é recolhido e beneficiado pela indústria, e de como fortalecer a proposta no município. “A campanha terá êxito se for acompanhada pela mudança de atitude da população, ou seja, com cada um fazendo a sua parte por um mundo melhor”, ressaltou Calissi.

A gratificação financeira pelo material será custeada pela Óleo & Óleo. A expectativa é de que sejam coletados inicialmente cerca de cinco mil litros de óleo sujo em Presidente Venceslau a cada mês.

A campanha conta com o apoio do Conselho Municipal de Meio Ambiente (Consemma), Divisão de Água e Esgoto (DAE), Polícia Militar Ambiental do Estado de São Paulo, Tiro de Guerra, Comunidade Cristã, Rotary Club, Maçonarias, Lions Clube, Lions Visão e de todos os supermercados.

Você Sabia?

- O óleo, depois de limpo, gera economia em reservas de óleo fóssil, pois pode ser empregado na fabricação de biodiesel;

- Um litro de óleo usado pode se transformar em 850 ml de biodiesel e ainda, 150 ml de glicerina bruta, que, ao passar pelo processo de bidestilação, resulta em 150 ml de glicerina pura, a qual é muito utilizada na indústria de cosméticos, entre outras;

- A decomposição do óleo de cozinha na natureza emite metano, um dos principais gases que causam o efeito estufa na atmosfera. (Com Assessoria de Imprensa)

 

 

Como barrar a extinção dos vertebrados

http://www.envolverde.com.br/fotos_novas/82877.jpgNagoya, Japão, 29/10/2010 – Um quinto dos vertebrados do mundo – seis milhões de formas de vida insubstituíveis – está ameaçado de extinção, conforme estudo apresentado na 10ª Conferência das Partes (COP 10) do Convênio sobre Diversidade Biológica. Desmatamento, expansão agrícola, pesca excessiva, espécies exóticas invasoras e a mudança climática são causas específicas, mas o principal motor de destruição é um sistema econômico cego para a realidade de que sem natureza não existe economia ou bem-estar humano, afirmam os especialistas.

Sem esforços mundiais de conservação, a situação será muito pior, disse Simon Stuart, presidente da Comissão de Sobrevivência de Espécies da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) na apresentação do informe, no dia 28, nesta cidade japonesa. O estudo é a avaliação mais exaustiva sobre os vertebrados do mundo – mamíferos, pássaros, anfíbios, répteis e peixes –, publicada no mesmo dia na revista especializada Science, disse Simon.

Anualmente, 52 espécies de mamíferos, aves e anfíbios avançam entre um e três passos no caminho para o desaparecimento, segundo o estudo, que utilizou dados de 25 mil espécies da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da UICN. O sudeste da Ásia sofreu as perdas mais drásticas dos últimos tempos, devido, principalmente, aos cultivos de exportação como a palma, bem como à extração comercial de madeiras nobres, conversão de terras silvestres em arrozais e caça insustentável, concluiu a pesquisa.

Algumas áreas da América Central, os Andes tropicais e inclusive a Austrália também registram perdas importantes, em particular devido ao impacto do mortal fungo chytrid nos anfíbios. “Está havendo erosão na coluna vertebral da biodiversidade”, disse o destacado ecologista e escritor norte-americano Edward O. Wilson, da Universidade de Harvard. “Um pequeno passo para o topo da Lista Vermelha é um salto gigante para a extinção. Esta é apenas uma pequena janela para as perdas mundiais que estão ocorrendo”, afirmou Edward em um comunicado.

A palavra biodiversidade, mais conhecida como natureza, se refere a plantas, animais e micro-organismos e aos seus ecossistemas, que proporcionam à humanidade alimentos, remédios, água e ar, abrigo e um ambiente saudável para viver. “A coluna vertebral da natureza está efetivamente em risco”, disse Julia Marton-Lefèvre, diretora-geral da UICN, que em uma entrevista coletiva em Nagoya destacou que um terço de todas as espécies estão ameaçadas. A Perspectiva Mundial sobre a Biodiversidade 3, ou GBO 3, apresentada em maio, concluiu que um quarto das espécies vegetais está ameaçado, os corais e os anfíbios do planeta estão em grave declínio e a quantidade de vertebrados diminuiu um terço nos últimos 30 anos.

Apesar deste panorama, é muito improvável que a União Europeia (UE) destine à proteção da biodiversidade mais dinheiro além do US$ 1,4 bilhão prometido em setembro na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, disse à IPS o legislador alemão Jo Leinen. “Estamos reduzindo nossos orçamentos, por isso será difícil oferecer fundos adicionais aqui”, disse Jo, que encabeçou a delegação de europarlamentares em Nagoya.

Jo preside o Comitê de Meio Ambiente do Parlamento Europeu e dirigiu uma sessão sobre selvas no fórum realizado em Nagoya pela Organização Global de Legisladores para o Equilíbrio Ambiental (Globe). O grupo pediu à UE que assuma urgentes compromissos de longo prazo para que os fundos estejam disponíveis a cada ano ao longo da próxima década, afirmou Jo. O Japão prometeu US$ 2 bilhões no prazo de três anos.

Segundo a UICN, o financiamento público e privado para conservar a biodiversidade deveria passar dos atuais US$ 3 bilhões anuais para US$ 300 bilhões. Não surpreende que este assunto seja um dos mais espinhosos para se chegar a um acordo antes do término da COP 10 no Japão. O fato de mais de cem ministros de Meio Ambiente terem chegado a Nagoya não é necessariamente esperançoso, pois a maioria está abaixo, na hierarquia ministerial, de seus colegas de Economia ou Finanças. Inclusive o presidente do Banco Mundial (BM), Robert Zoellick, reconheceu esta realidade na abertura do segmento ministerial da COP 10.

“A biodiversidade não é um acessório. Preservar ecossistemas e salvar espécies não são luxos para os ricos. A conservação e o desenvolvimento podem seguir juntos. Nosso hábitat e nosso planeta não merecem menos”, disse aos delegados o presidente do BM. O Banco Mundial dedicará esforços para financiar a proteção “dos serviços dos ecossistemas e a biodiversidade”, anunciou.

O BM espera que a conservação da biodiversidade seja incorporada a planos de crescimento econômico, infraestrutura e superação da pobreza. Para isso, lançou ontem uma nova associação mundial para ajudar os governos a integrarem o valor da biodiversidade e dos serviços da natureza às suas contas nacionais e aos seus planos de desenvolvimento. “A conservação funciona”, disse Simon. Nos últimos anos, impediu-se a extinção do rinoceronte branco e de outras 63 espécies, observou.

O estudo publicado na Science mostra que a perda de espécies se acentuou pela falta de medidas para evitá-la, que o desafio é proteger as espécies e os ecossistemas, enquanto são protegidos e potencializados os meios de vida das populações locais, reconheceu Simon. Envolverde/IPS

Fonte: (IPS/Envolverde)

terça-feira, 26 de outubro de 2010

BRASIL E PERU: Saída para Pacífico: desenvolvimento e integração

Rio Branco, Brasil, 22/10/2010 – Acre, o pequeno Estado do Brasil que simboliza a luta para preservar a Amazônia, enfrenta agora o desafio de tornar sustentável o desenvolvimento imposto por duas estradas que cortam seu território e conduzem tanto ao Atlântico quanto ao Pacífico. No ano que vem, será concluída a pavimentação dos últimos trechos da rodovia BR-364, que cruza o norte do Estado, inclui cinco grandes pontes em construção e abre caminho para uma futura conexão com a região central do Peru.

Obras semelhantes no país vizinho assegurarão acesso rápido a portos no sul peruano, pelas estradas que se ligam com a BR-317, a via já asfaltada do leste do Acre, terminando na fronteira brasileira com Bolívia e Peru. Este pequeno Estado, o mais distante do Oceano Atlântico que banha a costa brasileira, agora é visto como sua porta para o Pacífico, o que reorienta seu desenvolvimento. Todas as exportações para a Ásia do Estado do Mato Grosso, maior produtor brasileiro de soja, e da agrícola Rondônia sairão por terra rumo ao Pacífico, prevê Carlos Bantel, engenheiro florestal e especialista em recursos naturais da Amazônia.

Isso permitirá economizar entre dois mil e quatro mil quilômetros por terra e meia volta à América do Sul para chegar ao Pacífico, através do canal do Panamá ou do Estreito de Magalhães. A saída para o Pacífico é um longo sonho brasileiro, que só agora tem razões determinantes, quando a China se transforma na maior importadora de produtos nacionais, avança a integração sul-americana e o oeste do país se consolida como potência agrícola.

Já não se justifica uma economia brasileira exclusivamente voltada para o Atlântico, concordam todos. Com 700 mil habitantes e escassa produção, o Acre terá um papel protagonista nesta transformação, e também sofrerá o maior impacto. Será o centro da circulação de riquezas desproporcionais à sua pequena economia, que não alcança a autossuficiência alimentar e cujas exportações alcançaram apenas US$ 21 bilhões em 2008.

O Acre conserva 88% de sua cobertura vegetal original, segundo dados do governo, porque é “final de linha” da expansão econômica brasileira, disse Missias Lopes, funcionário do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), especializado em história econômica. A maioria de sua população chegou da região Nordeste, de onde emigrou para extrair borracha das seringueiras (Hevea brasiliensis), principalmente no início do Século 20 e durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Na época, o governo mobilizou jovens para fornecer látex às tropas aliadas, diante do bloqueio das fontes asiáticas pelo Japão, inimigo naquela luta. Eram proibidos de produzir qualquer outra coisa que não fosse látex, provocando “a perda da cultura” agrícola, como “aconteceu com meu pai, um dos ‘soldados da borracha’ procedentes do Nordeste”, contou Missias.

O Acre se desviou para a atividade pecuária nas décadas de 1970 e 1980, o que, junto com a construção de rodovias, desmatou vastas extensões. Porém, a resistência dos seringueiros e ambientalistas conteve esse processo e recuperou a economia extrativista do látex, acrescentou. Como resultado desse movimento surgiram “reservas extrativistas”, áreas públicas de conservação e uso sustentável de recursos naturais, sob a liderança de Chico Mendes, assassinado em 1988 e herói dos “povos da floresta” e ambientalistas.

Nessa luta também se destacou Marina Silva, a candidata a presidente do Partido Verde, que obteve 19,3% dos votos no dia 3 de outubro, forçando a realização do segundo turno para escolher o novo presidente do Brasil. O governador que deixará o cargo e o que assumirá anunciaram que o Estado não será simples rota de exportação de terceiros e buscará a industrialização de suas próprias matérias-primas, como madeira e carne, inclusive para venda ao exterior.

Uma Zona de Processamento de Exportação, que está sendo construída em Senador Guiomard, um município próximo à capital Rio Branco, receberá a partir de janeiro empresas que pagarão baixos impostos se exportarem 80% ou mais de sua produção. Contudo, a esperada avalanche de investimentos aumenta a preocupação dos ambientalistas. As estradas são “o pior predador ambiental”, disse Carlos Bantel, também professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Acre.

Além disso, a atividade madeireira tem o vício da ilegalidade, porque os baixos preços do mercado não compensam os custos adicionais dos cuidados ambientais, acrescentou Carlos. A Secretaria Florestal do Acre assegura que 95% da madeira do Estado vem do manejo sustentável, sem o desmatamento do passado. A exportação estimulará a pecuária, em um Estado que havia contabilizado 2,45 milhões de bovinos em 2006, o triplo de dez anos antes e equivalente a quatro cabeças pro habitante.

Isso se reflete na monótona paisagem de pastagens ao longo das BR-314 e BR-317, onde o gado é o maior fator de desmatamento amazônico. A rede rodoviária será importante para a integração do Acre com o Peru e para sua integração interna. A BR-364, uma vez asfaltada, gerará um transporte perene entre municípios até agora isolados durante, aproximadamente, oito meses ao ano, devido às chuvas que deixam intransitáveis as estradas de terra.

Zenildo de Freitas não depende da estrada, mas navega por três horas pelos rios Purus e Iaco para vender suas abóboras e frutas em Sena Madureira, a 150 quilômetros de Rio Branco. Por isso não vende vegetais, que são perecíveis, e calcula que “80% do que é comercializado no mercado local chega por rio”. A precariedade do abastecimento, especialmente na estação das chuvas, é um argumento a favor das rodovias asfaltadas e da integração com o Peru, excelente mercado para a carne acreana.

Do outro lado da fronteira, acredita-se que a integração rodoviária “beneficiará somente o Brasil, que ambiciona chegar ao Pacífico sem passar pelo Panamá” e que, como potência industrial, “quer pegar tudo”, disse Grimaldo Taboada, derrotado candidato à prefeitura da pequena Iñapari. Nessa cidade começa a parte peruana da Rodovia Interoceânica Sul e é onde empresas brasileiras constroem vários trechos da estrada no vizinho país, o que parece corroborar com a opinião do dirigente do opositor Partido Nacionalista.

“O Brasil é muito protecionista”, acrescentou sua filha, Maritza Taboada, que criticou as barreiras alfandegárias, fitossanitárias e normas técnicas que impedem a entrada de produtos típicos peruanos pela fronteiriça região Madre de Dios, como os que ela produz. Quanto ao turismo, pai e filha reconhecem que o Peru sairá favorecido, porque a estrada aumentará o fluxo de brasileiros a Cusco e Machu Pichu.

A estrada dinamizará o comércio em Iñapari e “talvez faça o governo nos dar mais atenção”, disse a peruana Baldina Coila. “Muitas crianças de Iñapari estudam em escolas brasileiras”, da vizinha cidade de Assis Brasil, porque são de graça e “aqui se paga para iniciar, por mês e inclusive por reunião de que não se participa”, ressaltou. Envolverde/IPS

(IPS/Envolverde)

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Projeto vai acabar com lixões e gerar energia

Projeto de engenheiro mecânico faz a coleta de resíduos sólidos, recicla-os e os transforma em carvão para gerar luz em termelétrica. Produção comercial deve começar em três meses

 

Um projeto inovador pode revolucionar o tratamento dos resíduos sólidos do país e acabar com os indesejáveis lixões, como o da Estrutural. Em uma usina em Unaí (MG), o lixo, além de ser reciclado, será usado para gerar energia. A tecnologia, 100% brasileira, mais precisamente sergipana, está sendo testada no município mineiro a 200 quilômetros da capital federal. A termelétrica tem capacidade de produzir 1 MW/h (megawatt/hora), o que, segundo o inventor do projeto, daria para levar luz a até 10 mil famílias. A expectativa é de que a produção comercial comece em três meses.

 

Antes de virar energia, o lixo é transformado em carvão vegetal. Todo o processo começa nas ruas de Unaí. Parte dos resíduos sólidos coletada é levada no caminhão até a usina. O lixo é despejado num silo, do jeito que foi retirado pelos lixeiros. Ele é transportado em uma esteira até o autoforno, onde é carbonizado a uma temperatura que pode chegar a 800ºC — tudo é mecanizado, sem contato manual.

 

Transformação

 

O lixo não entra em contato com o fogo, ficando isolado em um tanque de aço. Por isso, não há combustão durante o processo de carbonização. É possível carbonizar três toneladas de resíduos por hora. “O lixo não é queimado, é aquecido”, explica o inventor da usina, o engenheiro mecânico Railton Lima. Um destilador acoplado ao forno dá forma líquida ao gás que sai do lixo carbonizado. Do líquido, é possível extrair: óleo vegetal, alcatrão, lignina e água ácida. Todas essas substâncias podem ser aproveitadas pelo mercado — desde a indústria química à de cosméticos. O óleo vegetal, uma vez limpo, mais 10% de álcool, já é o biodiesel, que pode ser utilizado em automóveis.

 

Resíduos de origem animal e vegetal são desidratados e depois se desintegram para formar uma massa de carvão. Essa massa é compactada em toras, que servem de combustível para o próprio forno. O que não vira um novo produto dentro da usina, pode virar fora dela. É o caso de produtos de origem mineral. Objetos de vidro, ferro, lata, alumínio saem limpos e sem os rótulos de origem. Prontos para serem transformados em novos bens de consumo.

“Toda vez que eu venho aqui eu me emociono ao perceber o benefício que nós estamos dando ao meio ambiente. A grande vantagem é que tudo é feito a baixo custo”, afirma o investidor Mário Martins, 50 anos, dono da usina.

Energia
O lixo é transformado em carvão, que pode gerar energia. Uma termelétrica está sendo montada ao lado da usina de carbonização. Daqui a três meses, ela estará levando eletricidade a milhares de famílias do município de menos de 90 mil habitantes. Segundo Mário, a parceria já foi selada com a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), responsável por fornecer luz ao município. “Faltam apenas alguns ajustes.”

 

Na termelétrica de Unaí, é preciso 350 quilos de carvão para produzir 1MW/h, enquanto em outras convencionais para gerar essa mesma energia seriam necessárias de 3,5 toneladas a 4 toneladas de carvão, de acordo com o idealizador do projeto, Railton Lima. O megawatt produzido será vendido a R$ 130, valor abaixo do praticado no mercado. “É a primeira tecnologia do mundo que pega 100% do lixo e transforma em energia térmica ou em outros produtos, sem nenhum desperdício e sem nenhum retorno ao meio ambiente”, garante.

 

A ideia inovadora e ambientalmente louvável despertou o interesse de outros empreendedores. O investidor Paulo Chiu Taniguchi, 55 anos, pretende estender o projeto, intitulado Natureza limpa, para a grande Belo Horizonte. “É uma iniciativa surpreendente”, elogia ele, que será o primeiro parceiro do paranaense Mário Martins.

 

Antes de começar a colher os louros do investimento, Mário enfrentou obstáculos financeiros e venceu a torcida do contra. Quatro anos se foram entre as fases de análise e desenvolvimento do projeto. “Alguns diziam que eu era doido, que iria perder tudo. Fui atrás de empréstimos em banco, patrocínio do governo, mas não acreditaram no projeto. Não desisti. Vendi imóveis e contei com a ajuda de dois amigos”, lembra. Passadas as dificuldades, o telefone de Mário não para de tocar. É gente o tempo todo oferecendo parcerias e querendo saber mais sobre a usina e a termelétrica.

 

Lixão da Estrutural

 

A maioria do lixo coletado no DF (80%) é conduzida diretamente para o Aterro do Jóquei , o Lixão da Estrutural, a apenas 15 quilômetros do Congresso Nacional. Todos os dias são levados para lá cerca de 2,5 mil toneladas de resíduos, segundo informações do Serviço de Limpeza Urbana do Distrito Federal (SLU). Tecnicamente chamado de Aterro Controlado, o Lixão da Estrutural é uma ameaça ambiental aos recursos hídricos, já escassos, do Distrito Federal. O depósito fica ao lado do Parque Nacional de Brasília, onde está localizada a barragem de Santa Maria, que abastece parte da população da capital federal. A desativação do Lixão da Estrutural depende da construção do Aterro Sanitário de Samambaia. A licitação do novo depósito de lixo, ambientalmente mais viável, no entanto, ainda não saiu.

 

 

CAMPANHA DE COLETA DO ÓLEO DE FRITURA USADO E AZEITE DE DENDÊ - COLETA NA BAHIA

O MAV coleta óleo proveniente de fritura usado e azeite de dendê e dá um destino ecologicamente correto.

O óleo de fritura e o azeite de dendê deve ser guardado em garrafas (PET), e entregues nos pontos de coletas.

O óleo reciclado poderá ser utilizado como matéria-prima na fabricação do biodiesel, detergente, e etc.

Fale conosco pelos fones: (75) 3491-1351ou 9173-3106 e informaremos o local mais próximo de você entregar sua coleta, e fornecemos gratuitamente coletores para condomínios, escolas, comércios, indústrias e eventos.

Pequenos atos podem fazer a diferença na preservação do Meio Ambiente. Faça a sua parte!

colabore com o projeto "ÁGUA VIVA",

Estamos à sua disposição para quaisquer esclarecimentos. Fale conosco.

 

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Caio Silveira defende a construção de redes para o desenvolvimento territorial

O desenvolvimento econômico de uma região está relacionado à implantação de redes de relacionamento entre os diversos atores presentes em determinado território, como explica o sociólogo Caio Silveira, coordenador da Expo Brasil 2010, encontro que vai reunir comunidades de diferentes municípios para discutir desenvolvimento local, inovação, meio ambiente, democracia e desigualdades. A edição desse ano será realizada entre os dias 1º e 3 de dezembro, no Rio de Janeiro.

Para Silveira, equilíbrio ambiental, cultura e economia solidária são elementos de um desenvolvimento sistêmico, tendo o território como fator de integração. “Quantas oportunidades perdemos por não saber o que acontece na região onde moramos?”, questiona. Confira na entrevista a seguir a visão do coordenador do evento sobre assuntos como sustentabilidade e as possibilidades de produção de riqueza a partir de cadeias produtivas com bases territoriais.

Nós da Comunicação – Um dos pontos focais da Expo Brasil 2010 é a abordagem do desenvolvimento territorial. Nesse contexto, qual o significado da expressão ‘territórios em rede’ e quais suas vantagens para os empreendedores?

Caio Silveira – A expressão significa a junção de duas ideias. A primeira é a rede construída dentro de um território, onde haja um diálogo entre os bairros, comunidades e cidades de uma região e está ligada às ‘antenas’ internas da cidade. Quantas oportunidades perdemos por não saber o que acontece na região onde moramos?

Já a segunda é a ampliação da primeira, só que pensada na relação entre territórios. E a mobilização desses locais pode atrair forças e apoiadores externos, como outras instâncias de governo etc. Para isso acontecer, é fundamental o protagonismo local, uma comunidade não pode ficar esperando acontecer. Em relação às vantagens, não adianta ter ‘programas de prateleira’, pré-estabelecidos. É importante dialogarmos com os diferentes territórios.

Nós da Comunicação – De que maneira as tecnologias podem ser utilizadas como ferramentas de mobilização no processo de desenvolvimento territorial? Você poderia citar algum exemplo?
Caio Silveira –
Um exemplo é o projeto Piraí Digital, do município de Piraí, no Rio de Janeiro, que inclusive já virou referência brasileira para outros estados. Não apenas por ser uma iniciativa precursora, mas por suas inovações importantes. A proposta foi criar uma infraestrutura pública de comunicação em rede, com internet banda larga para todo o município, tanto nas áreas rurais quanto urbanas e associar a isso um conjunto de ações, como universalizar as informações entre as diversas instâncias públicas.

Nós da Comunicação – Qual a importância da criação de espaços que possibilitem a produção e gestão do conhecimento em cadeias produtivas com bases territoriais?

Caio Silveira – A questão da produção e gestão do conhecimento é mais ampla do que as cadeias produtivas e economia, em geral. A idéia é que a gente possa ter um conhecimento maior sobre as realidades locais e que essas informações possam ser utilizadas pelas próprias comunidades. É um conhecimento que pode ser apropriado. Por isso, é mais amplo do que a economia, mas também faz parte do seu âmbito, já que o conhecimento é o principal fator de produção e o principal eixo de valor. Vivemos numa sociedade do conhecimento. A grande parte do valor de um tênis, por exemplo, não está na ‘matéria dura’, mas no design, na pesquisa, no marketing e em outros ativos imateriais. Na verdade, construímos as cadeias produtivas em cima da troca de conhecimento. Um exemplo é o projeto Justa Trama, que engloba 700 associados produtores de vestuário, atuantes em seis estados brasileiros: São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rondônia, Ceará e Minas Gerais. Eles estão articulados a partir de informação e conhecimento.

Nós da Comunicação – As entidades do terceiro setor estão mais mobilizadas e articuladas nesse sentido? E as instâncias políticas, a situação melhorou ou piorou nos últimos anos?

Caio Silveira – É importante pensarmos as duas coisas juntas. No desenvolvimento territorial integral é importante a articulação dos setores. Sem comunicação os resultados serão fragmentados. Acredito que ainda predominem ações setoriais, pois falta desenvolver uma visão de ação territorial integrada, que supõe parcerias. O espaço público se refere a tudo, não apenas ao espaço governamental, mas envolve outros atores, como empresas, terceiro setor etc.

Se compararmos com quinze anos atrás, existe uma movimentação muito maior. Hoje, o conceito está mais impregnado, mas afirmar que melhorou é subjetivo. Podemos dizer que a presença da abordagem territorial nas políticas públicas avançou, mas ainda é muito menor do que poderia ser. Entretanto, é um ambiente muito mais favorável do que o do final da década de 90.

Nós da Comunicação – Como a cultura e a sustentabilidade ambiental são elementos indutores do desenvolvimento de uma economia solidária?

Caio Silveira – Tanto a cultura quanto a sustentabilidade e a economia solidária são elementos de um desenvolvimento sistêmico, tendo o território como fator de integração. O meio ambiente, por exemplo, não pode ser visto como um freio-motor, mas como um ativo gerador de novas formas de trabalho e produção de riqueza, a partir da idéia de sustentabilidade ambiental. Produção de biocombustível, energia eólica e solar são todas oportunidades de trabalho.

Em relação à cultura, é válido citar como exemplo os Pontos de Cultura, projeto do Ministério da Cultura que permitiu desenvolver iniciativas locais em todo território nacional. Isso tudo, que se chama economia criativa, envolve as artes, moda etc. Outro exemplo interessante é o projeto Favela Fashion Rio, que será apresentado na Expo Brasil desse ano. A idéia é mostrar como empreendimentos e produtores populares dessa cadeia produtiva localizados em comunidades do Rio de Janeiro estão criando, produzindo e sobrevivendo da moda.

Nós da Comunicação – Na prática, como pequenos e médios empreendedores podem se beneficiar com a Expo Brasil?

Caio Silveira – Eu diria que micro e pequenos empreendedores podem ganhar mais visibilidade com o evento. Podemos pegar como exemplo, o caso do Favela Fashion Rio. A Expo Brasil não é uma feira de negócios, mas um evento de contatos e oportunidade de visibilidade. Temos a proposta de articular relacionamentos, visando beneficiar e favorecer seus participantes, tirando-os do isolamento. A feira procura ser uma contribuição na construção dessas redes e trocas de informações. Que ela seja uma escola viva, onde todos estejam aprendendo

domingo, 17 de outubro de 2010

Palestra sobre o uso indevido do óleo de cozinha abre Campanha do Projeto Óleo Gota á Gota

Com o intuito de fomentar ações que regulem o uso indevido do óleo de cozinha, a Secretaria do Meio Ambiente do município de Carmópolis, cria a campanha do projeto “ Óleo Gota a Gota”, em parceria com a gestão municipal. “ A reciclagem do óleo de cozinha é imprescindível para a preservação do meio ambiente. Nesta fase inicial iremos conscientizar a população e incentivar a coleta”, diz o secretário de meio ambiente do município Ademir Carozo Gadjos. O evento aconteceu neste dia 15, no auditório da Câmara de Vereadores de Carmópolis.

 

Durante toda a palestra estiveram presentes secretários, assessores, proprietários de restaurantes e a comunidade. O palestrante e ambientalista Adler Joan Alcântara que atualmente é presidente da Biodiesel Associados, falou da importância da coleta seletiva do óleo de fritura residual e consequentemente a preservação do meio ambiente.” Um litro de óleo, contamina um milhão de litros de água, atrai baratas e ratos, as baratas atraem os escorpiões, entopem instalações hidráulicas e de esgoto, assim como o óleo saturado obstrui nossas coronárias e artérias além de liberar na atmosfera o metano que causa efeito estufa” afirma o palestrante. “ É uma corrente destrutiva e enquanto cidadãos devemos detê-la”, conclui Alcântara.

 

Coleta

 

O município de Carmópolis tem um razoável número de restaurantes que atendem à demanda de terceirizadas na área de petróleo. A Secretaria de Meio Ambiente pretende coletar o maior número possível de óleo de fritura residencial a fim de transformá-lo em biodiesel, como também transformá-lo em mudas para vitalizar matas ciliares. Os restaurantes que se engajarem nesta empreitada receberão o selo “ Empresa Amiga da Natureza”, criado pela secretaria. Os locais de coleta estão localizados na Secretaria de Meio Ambiente ou na garagem do município. “ O processo para iniciarmos esta campanha é simples. Armazena o óleo de cozinha usado em garrafas PET e deixa nos pontos de coleta”, diz o secretário Carozo.

 

“Neste mês de aniversário da cidade de Carmópolis, seus 88 anos é comemorado com um presente como este . “O projeto vai trazer mais qualidade de vida à população desde a saúde do homem como a diminuição do entupimento da rede coletora de esgotos”, enfatiza o engenheiro ambiental da Prefeitura Municipal Alisson Braga.

 

Maiores informações: 3277 1263/ 3277 1506

 

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Bioasfalto: asfalto verde substitui petróleo por óleo vegetal

Bioasfalto: asfalto verde substitui petróleo por óleo vegetalOs ganhos do asfalto verde começaram a ser verificados já na aplicação, uma vez que o bioasfalto pode ser aplicado a uma temperatura menor do que o asfalto tradicional de petróleo.[Imagem: Mike Krapfl/Iowa State University]

Ao estudar os efeitos da adição de óleo vegetal ao asfalto comum, um engenheiro norte-americano pode ter descoberto um asfalto verde, um possível substituto para o asfalto à base de petróleo.

O professor Christopher Williams, da Universidade do Estado de Iowa, estava testando composições capazes de aguentar melhor as intensas variações de temperatura a que os asfaltos estão sujeitos, sobretudo no Hemisfério Norte, com nevascas severas onde não nevava há anos, e verões que batem recordes de temperatura ano após ano.

Mas o resultado foi muito melhor do que o esperado - o asfalto não apenas assimila uma parcela maior de bio-óleo do que o esperado, como também sua qualidade aumenta muito, em condições de rodagem e em durabilidade.

Bioasfalto

Nasceu então o bioasfalto, cujos primeiros testes começaram a ser feitos neste mês. Os ganhos começaram a ser verificados já na aplicação, uma vez que o bioasfalto pode ser aplicado a uma temperatura menor do que o asfalto tradicional de petróleo.

Como esses primeiros testes serão focados na durabilidade e na resistência às variações de temperatura, os pesquisadores escolheram uma ciclovia na própria universidade como laboratório.

O monitoramento sobre o bioasfalto será feito durante um ano, para cobrir todas as estações.

O professor Williams afirma que o bioasfalto permite que a mistura à base de petróleo seja substituída parcialmente por óleos derivados da biomassa de diversas plantas e árvores.

Pirólise rápida

O bio-óleo utilizado no bioasfalto é criado por um processo termoquímico chamado pirólise rápida, no qual talos de milho, resíduos de madeira ou outros tipos de biomassa são aquecidos rapidamente em um ambiente sem oxigênio.

O processo produz um óleo vegetal líquido que pode ser usado para a fabricação de combustíveis, produtos químicos e asfalto.

O processo gera ainda um produto sólido chamado biocarvão - um carvão vegetal - que pode ser usado para enriquecer os solos e para remover gases de efeito estufa da atmosfera.

Redação do Site Inovação Tecnológica - 15/10/2010

Relatório da WWF diz que humanidade já consome 50% mais recursos do que a Terra consegue oferecer

Perda, alteração e fragmentação de habitats, exploração de espécies selvagens, poluição e mudança do clima são as principais ameaças

RELATORIO_WWF

Nos últimos 40 anos, o consumo excessivo dos recursos naturais cresceu a um ritmo acelerado e hoje já consumimos 50% mais do que a capacidade de renovação do planeta, seja em ar limpo, água potável, terra ou recursos naturais e agrícolas. O resultado desse excesso é a perda da biodiversidade mundial, que chegou a 30% no período.

Os dados são da edição de 2010 do Relatório do Planeta Vivo, da Rede WWF, publicada mundialmente na quarta-feira (13/10). Produzido a cada dois anos, o levantamento mede a saúde de quase 8.000 populações de mais de 2.500
espécies.

A pegada ecológica, um dos indicadores da devastação ambiental utilizados no relatório, mostra que a demanda da humanidade por recursos naturais duplicou desde 1996 e, atualmente, utilizamos o equivalente a um planeta e meio para sustentar nosso estilo de vida. Se continuarmos a viver além da capacidade do planeta, aponta o relatório, até 2030 precisaremos de uma capacidade produtiva equivalente à exploração de dois planetas. 

Segundo o relatório, os ricos demandam mais recursos, mas a degradação e a conseqüente perda da biodiversidade são mais acentuadas nas regiões tropicais – como o Brasil –, que também são as mais pobres, onde houve uma queda de 60% das espécies de plantas e animais.

Segundo o relatório, nas regiões temperadas (e mais ricas), houve uma recuperação de 29% das espécies, graças, em parte, ao aumento dos esforços de conservação da natureza e a um melhor controle da poluição e do lixo.
 
“É alarmante o ritmo da perda de biodiversidade que se verifica nos países de baixa renda, em sua maioria situados  nos trópicos, enquanto o mundo desenvolvido vive num falso paraíso, alimentado pelo consumo excessivo e elevadas emissões de carbono”, alerta Jim Leape, diretor geral da Rede WWF.

O documento aponta a perda, alteração e fragmentação de habitats, a exploração excessiva de espécies selvagens, a poluição e a mudança do clima como os principais fatores que ameaçam a biodiversidade.

CLIQUE AQUI E BAIXE GRATUITAMENTE O RELATORIO COMPLETO

Consumo desigual
O relatório reafirma um dado que já é conhecido: além de excessivo, o consumo é desigual. O excesso é predominante em nações mais ricas. Apenas os 32 países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) – grupo das economias mais ricas e industrializadas do planeta – são responsáveis pelo consumo de 40% dos recursos disponíveis. 

Brasil, Rússia, índia e China não fazem parte da OCDE, mas, somados, têm o dobro dos habitantes dos países do grupo. E o relatório alerta que, mantido o atual modelo de desenvolvimento, os chamados países emergentes seguirão a mesma trajetória de degradação ambiental dos ricos.

“Seriam necessários quatro planetas e meio para atender a uma população mundial (6,8 bilhões de pessoas) com um estilo de vida equiparável ao de quem vive hoje nos Emirados Árabes ou nos Estados Unidos", alerta Leape.

Mudanças climáticas
Segundo o documento, devido ao aumento da geração e emissão de gases de efeito estufa na atmosfera, causado principalmente pela queima de combustíveis fósseis, desmatamento e processos industriais, o planeta entrou em uma espécie de “cheque sem fundo” ecológico.

Nossa pegada de gás carbônico, principal causador do efeito estufa, aumentou em 35% nos últimos 20 anos e atualmente é responsável por mais da metade da pegada ecológica global.

Segundo o documento, os dez países com a maior pegada ecológica per capita são: Emirados Árabes Unidos, Catar, Dinamarca, Bélgica, Estados Unidos, Estônia, Canadá, Austrália, Kuwait e Irlanda.  O Brasil ocupa a 56º posição neste ranking.

Mais uma vez, a maior pegada é a dos países de alta renda. Em média, a pegada desses países é cinco vezes maior do que a dos países de baixa renda. 

“As espécies são a base dos ecossistemas,” afirmou Jonathan Baillie, diretor do Programa de Conservação da Sociedade Zoológica de Londres, entidade que participou do levantamento.  “Ecossistemas saudáveis constituem as fundações de tudo o que nós temos – se perdemos isso, destruímos o sistema do qual depende a vida”, completou Baillie.

Brasil

O Brasil possui uma alta biocapacidade – relação entre a área disponível para agricultura, pastagem, pesca e florestas e o potencial de produtividade –, mas isso não nos coloca em uma situação confortável.

“A redução da desigualdade com aumento do poder aquisitivo da população brasileira é uma conquista positiva. No entanto, também nos coloca frente a um grande desafio que é o de crescer sem esgotar nossos recursos naturais”, destaca a Secretária-Geral do WWF-Brasil, Denise Hamú.

Para Helio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu, o consumo das riquezas naturais é indispensável para a vida no planeta e é fator determinante do crescimento econômico. “O que precisamos é consumir menos e diferente. Ou seja, consumir de forma mais responsável, buscando um equilíbrio entre nossas necessidades e a capacidade da renovação da Terra”.

“O principal benefício do relatório é servir de ferramenta para os tomadores de decisão estimularem uma economia de baixo carbono, uma economia verde, criando novas oportunidades de crescimento para o país e protegendo os serviços ecossistêmicos que são a base de nosso desenvolvimento econômico”, afirma Hamú.

 

Guias para busca de Financiamento Florestal 2010

Ministério do Meio Ambiente Serviço Florestal Brasileiro - http://www.florestal.gov.br/

 

Linhas de crédito para o setor florestal são reunidas em Guia

 

http://www.mma.gov.br/index.php?ido=conteudo.monta&idEstrutura=95&modulo=ultimas&idNoticia=1465

 

 

Guia de Financiamento Florestal 2010 -  fomento_95.pdf - 1,75 MB –

 

http://www.mma.gov.br/estruturas/sfb/_arquivos/fomento5_95.pdf

 

 

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Livretos e guias que facilitam o entendimento da *Economia-dos-Ecossistemas- e-da-Biodiversidade* (TEEB)

Livretos e guias que facilitam a aplicação de indicadores e políticas públicas locais, alem de facilitarem o  entendimento da *Economia-dos-Ecossistemas- e-da-Biodiversidade* (TEEB).

 

Links sobre biodiversidade = > http://www.teebweb.org/UsefulLinks/tabid/1063/Default.aspx

 

Denise de Mattos Gaudard

Consultoria Socioambiental

 

FONTES RENOVÁVEIS

55(21) 2246-7255 /55(21) 8875-882

denisedemattos@frenovaveis

Skpe:denisedemattos  Msn:denisedematos@hotmail.com

 

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Novas estratégias para a defesa da biodiversidade

Estudo descreve como o atual modelo de proteção ambiental de priorizar a criação de reservas não irá resistir ao aumento da população e sugere que ações globais devem ser adotadas mesmo que alterem o modo de vida das pessoas

O crescimento da população e do consumo irá criar uma pressão tão grande sobre os ecossistemas que as atuais políticas de proteção do meio ambiente através de reservas de conservação serão ineficientes para reduzir as perdas da biodiversidade.

Esta é a principal conclusão do estudo "Rethinking Global Biodiversity Strategies", produzido pela Agência de Análise Ambiental dos Países Baixos (Netherlands Environmental Assessment Agency - PBL) para ser apresentado durante a próxima Conferência das Partes (COP 10) da Convenção sobre Diversidade Biológica, que será realizada em Nagoya, no Japão, entre 18 e 29 de outubro.

Segundo a PBL a única maneira de frear de forma consistente a perda da biodiversidade é fazendo uma mudança estrutural no nosso modelo de produção e consumo, mesmo que para isso sejam necessárias leis severas limitando a pesca, a expansão da pecuária e determinando a alteração do uso da terra.

O estudo alerta que já teriam sido tentadas leis pontuais em alguns setores, mas que é necessário o trabalho conjunto dos governos para que normas internacionais possam ser adotadas nos mais diversos modelos de negócios. Com isso seria possível reduzir pela metade a perda da biodiversidade projetada para 2050.

Medidas

Boa parte das propostas da PBL passa pela modernização dos métodos de produção de alimentos, com os países mais ricos ajudando os mais pobres com financiamentos e transferência de tecnologia.

Para a agência existe um grande potencial em tornar mais eficientes as lavouras ao redor do mundo, o que evitaria a destruição de milhões de hectares de matas nativas para a expansão dessa atividade. O mesmo pode ser aplicado para a pesca.

Já para a pecuária, além da modernização, o estudo aconselha campanhas para reduzir o consumo de carne. Será um desastre ambiental se o crescimento populacional for acompanhado pelas atuais taxas de consumo e a única maneira de evitar isso seria começar desde já a mobilização pela mudança dos hábitos alimentares, afirma a PBL.

Existe também grande espaço para aprimoramentos na indústria madeireira, com a aplicação de melhores técnicas de plantio e aproveitamento. A consolidação de selos e certificados de procedência será apresentada na COP 10 como uma das melhores alternativas para o setor.

Finalmente, a PBL recomenda uma maior integração com as políticas climáticas e suas potenciais ferramentas. Unir a proteção da biodiversidade com o combate ao aquecimento global será fundamental para a sociedade superar os dois desafios.

O estudo possui 172 páginas com tabelas e gráficos detalhando cada uma das possibilidades e explicando as conseqüências que sofreremos se não fizermos nada para evitar a perda das espécies.

É a biodiversidade que nos garante solos férteis, água limpa e ar de qualidade. Esses serviços são hoje nos fornecidos gratuitamente, mas se continuarmos ignorando os danos que provocamos ao meio ambiente os prejuízos econômicos e sociais serão grandes demais para sequer serem calculados.

07/10/2010  Fonte: Instituto CarbonoBrasil/PBL

 

"El Cambio climático necesita un cambio político"

El Centro Peruano de Estudios Sociales (www.cepes.org.pe) entrevistó recientemente a Antonio Hill, asesor de Políticas sobre cambio climático de Oxfam, quien compartió con esta ONG su punto de vista acerca de las políticas de mitigación del cambio climático y la inercia de los políticos frente a los -cada vez más graves- desastres naturales, que son síntoma evidente del cambio climático.

Respecto a las políticas en Latinoamérica frente al cambio climático, el experto indica: “Creo que  hay una falta de compromiso por parte de los gobiernos hacia lo que implica esta amenaza, creo que sin duda ha habido un cambio como producto de las negociaciones a nivel internacional, así como por los desastres que hemos visto este año como el deslizamiento en Guatemala o inundaciones en Pakistán, desastres que exigen una respuesta por parte de los gobiernos, a mi juicio más contundente y una prioridad política que hasta el momento no se le ha dado”·

De acuerdo al especialista frente al cambio climático hay tres posibles respuestas: la mitigación (o evitar los contaminantes que originan el cambio climático), en segundo lugar adaptar nuestros esquemas sociales y económicos para enfrentar y superar los cambios en la naturaleza, y la tercera opción es sufrir, es decir, “si no hacemos lo suficiente en mitigación y adaptación, entonces vamos a sufrir, y sobre todo van a sufrir los sectores más vulnerables como las mujeres que se dedican a la agricultura, actividad que depende de cierta estabilidad en los ciclos de lluvia”

El experto indicó que en Perú, en la ciudad del Cuzco un río alimentado por un glaciar, ha disminuído su cauce en un 50% en las últimas décadas, y los campesinos no tienen respuesta frente a este cambio que podría acabar con la provisión de agua para su zona en 20 o 30 años.
Para el especialista, la solución radica en detener en este momento el cambio climático., pero para lograrlo, los países más grandes y con mayor poder económico deberían asumir una doble obligación que consiste en detener sus emisiones y  ayudar a los países que están más expuestos a los efectos del cambio climático. Desde el punto de vista del experto,  los países más ricos no tienen la voluntad de tomar medidas concretas para paliar el cambio climático, en gran medida porque hay intereses económicos en los que priman las ganancias financieras de corto plazo sin evaluar el impacto a futuro, solo algunos países en Europa están haciendo una evaluación de largo plazo.

Tras el fracaso de Copenhague, la próxima reunión de Cancún genera gran expectativa. Hill indica que el año pasado habían demasiadas visiones distintas sobre el acuerdo, desde su perspectiva los gobiernos deberían tomar un acuerdo sobre la naturaleza del acuerdo que están tratando de negociar, y sí habría un genuino interés de negociar un nuevo acuerdo vinculante en México a finales de este año.

El especialista indica que los últimos informes de cambio climático ya no hablan de proyecciones a futuro, sino de eventos medibles e impactos observados, pero la mayoría de personas afectadas no son aquellas que son tocadas por los grandes desastres, sino por pequeñas variaciones que alteran sus vidas, como por ejemplo, cuando se producen variaciones pequeñas en la temperatura y frecuencia de lluvia que puede significar la pérdida de cosechas, y debiera darse prioridad a adaptarse a esos cambios, porque son este tipo de alteraciones las que tendrán mayor impacto a nivel global.

FEIRA DE INOVAÇÃO TECNOLÓGICA - INOVATEC - DIVERSAS TECNOLOGIAS SOBRE PROCESSAMENTO DE BIODIESEL E BIOMASSA FORAM MOSTRADAS - MG - 2010

Os visitantes da 6ª Feira de Inovação Tecnológica (Inovatec) que acontece na Expominas, em Belo Horizonte/MG mostram-se interessados em conhecer as inovações tecnológicas realizadas no País por empresas, universidades e instituições de Pesquisa e Desenvolvimento. O público visitante é formado por estudantes de várias universidades e institutos federais espalhados pelo Brasil, além de empresários, pesquisadores, professores, jornalistas e profissionais de diversas áreas.

 

O estande da Embrapa, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, é composto por informações e tecnologias de quatro Unidades de Pesquisa, sendo duas localizadas em Minas Gerais, a Embrapa Milho e Sorgo (Sete Lagoas) e a Embrapa Gado de Leite (Juiz de Fora) e duas de Brasília-DF, a Embrapa Agroenergia e a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia.

 

As tecnologias apresentadas no estande da Empresa chamam a atenção dos visitantes da Feira, especialmente as relacionadas à energia renovável. Nessa linha, dois projetos estão sendo demonstrados pela Embrapa Agroenergia. A produção de etanol a partir de matéria-primas lignocelulósicas como bagaço de cana-de-açúcar, capins, florestas energéticas e resíduos agrícolas. A segunda tecnologia é o “Biofrito”, projeto de produção de biodiesel a partir de óleo de fritura usado, realizado em parceria com a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (CAESB), Emater-DF, Instituto Federal de Brasília.

 

A produção de biodiesel usando o óleo de fritura usado, que é um poluente da rede de esgotos, poderá ser uma solução ambiental para tirar esse contaminante do meio ambiente e transformá-lo em biocombustível, diz o engenheiro químico e pesquisador da Embrapa Agroenergia, José Dilcio Rocha, que está repassando as informações ao público da Inovatec. “O projeto Biofrito tem essa finalidade e isso foi um dos assuntos de maior interesse na Feira”, ressalta Rocha.

 

Aproveitando a estada em Belo Horizonte, o pesquisador visitou a empresa Recóleo, que faz a coleta de óleo de fritura usado em várias cidades do estado de Minas Gerais, para transformação em biodiesel. De acordo com a diretora da empresa, Nivia Freita, a Recóleo opera no mercado de reciclagem desde 2003 e atualmente coleta mais de 200 mil litros de óleo de fritura usado por mês. “Isso prova que estamos no caminho certo ao reciclar e transformar o óleo usado em biodiesel, um combustível renovável”, afirmou o pesquisador.

 

Outras tecnologias

 

A Embrapa Recursos Genéticos participa da feira com o Biorreator para clonagem de mudas. O equipamento, desenvolvido e patenteado pela Unidade é capaz de multiplicar mudas de culturas agrícolas com muito mais higiene, segurança e economia.

 

A Embrapa Gado de Leite apresenta quatro tecnologias na Inovatec. Uma delas é a Lolita – produção rápida de mudas de cana-de-açúcar a partir da micropropagação. Trata-se de um sistema de baixo custo para produção in vitro e aclimatação ex vitro de mudas de cana-de-açúcar. A técnica recebeu a sigla Lolita, referente ao termo “Large Output Low Input Technological Application”. Essa tecnologia poderá ser implantada, rapidamente, em viveiros de usinas de produção de açúcar e álcool.

A barra de cereais à base de pipoca de sorgo é uma das tecnologias que está sendo apresentada pela Embrapa Milho e Sorgo. O sorgo, utilizado na alimentação humana há séculos em diferentes países da Ásia e da África, pode ser mais bem aproveitado no Brasil na produção de farinhas, pães, bolos e outros produtos alimentícios. O produto possui uma capacidade antioxidante bastante elevada e esse é um dos diferenciais do cereal como alimento funcional.

 

Os interessados em conhecer essas tecnologias podem visitar o estande da Embrapa até sexta-feira (08), na Expominas, em Belo Horizonte/MG, de 14h às 21h.

 

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Brasil será protagonista nas negociações da Convenção da Biodiversidade

http://www.envolverde.com.br/fotos_novas/81871.jpgMais de 100 países, incluindo as principais potências econômicas e o Brasil, vão se reunir a partir do dia 18, em Nagoya, no Japão, para tentar encontrar alternativas a fim de evitar mais colapsos ambientais.

O ano de 2010 ficará marcado internacionalmente não apenas pela realização da Copa do Mundo. Outro tema - a biodiversidade - vai interferir de forma direta e implacável no cotidiano das pessoas, em escala muito maior e talvez sem a mesma visibilidade na mídia. O assunto também vai atrair a atenção de muitos países durante a Conferência da ONU sobre Diversidade Biológica (COP-10), a ser realizada de 18 a 29 deste mês em Nagoya (Japão)

Apesar de ainda não ter o mesmo apelo do futebol nas discussões do dia-a-dia, neste Ano Internacional da Biodiversidade - estabelecido pela ONU - nações de todo o mundo vão debater a perda da biodiversidade, prejuízo que afeta não só animais e plantas (como muitos preferem simplificar a questão), mas interfere de maneira crucial na manutenção da vida do homem e no equilíbrio de todo o planeta.

Para se ter uma idéia do tamanho do prejuízo, as perdas econômicas decorrentes do processo de redução de espécies alcançam uma cifra anual entre U$2 e US$ 4,5 trilhões, segundo pesquisadores do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

O encontro no Japão vai reunir as nações megadiversas (grupo dos 17 países que abrigam a maioria das espécies da Terra e juntos detêm cerca de 70% de toda a biodiversidade do planeta, entre eles o Brasil), as principais potências econômicas mundiais e outros 100 países aproximadamente. O objetivo é tentar encontrar soluções que possam surtir efeito rápido ou pelo menos de médio prazo, a fim de evitar novos colapsos ambientais ao redor do planeta.

Durante a COP-10, o Brasil pretende assumir o protagonismo nas negociações, com o objetivo de reafirmar o pacto entre os países signatários da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) para o cumprimento das metas estabelecidas em Johannesburgo (África do Sul), em 2002.

Vai ainda defender a bandeira da repartição de benefícios oriundos do patrimônio genético da biodiversidade, principal ponto pretendido pelos megadiversos na convenção. Muitas reuniões preparatórias têm sido realizadas pelas 17 nações megadiversas com a finalidade de se estabelecer uma proposta comum que, uma vez concluída, deve ser apresentada na COP-10.

A questão da compensação financeira resultante do conhecimento obtido a partir da biodiversidade, no entanto, é motivo de controvérsia. Ganhou manchete dos jornais o caso do cupuaçu, por exemplo, que teve um pedido de patente registrado no exterior por uma empresa japonesa, apesar de ser uma planta típica da Amazônia.

Por meio da contestação de entidades ambientalistas nos escritórios de patentes internacionais, foi impedida a aprovação do registro, pois as aplicações do produto já eram, há muito tempo, de domínio dos índios e das comunidades tradicionais amazônicas, e não envolviam nenhum tipo de inovação que justificasse o direito de sua exploração pela companhia japonesa.

Diversidade global em declínio - De acordo com o terceiro relatório do Panorama da Biodiversidade Global (GBO3, em inglês), divulgado no começo de maio pelas Nações Unidas (cuja versão em português foi lançada em maio pelo MMA), nenhum país cumpriu integralmente as metas de redução da perda da biodiversidade em seus territórios entre 2002 e 2010.

O documento é um relatório oficial da Convenção sobre Diversidade Biológica, estabelecida em 1992, e vai pautar as discussões entre os chefes de Estado participantes da Cúpula da Biodiversidade no Japão. O ponto mais preocupante deste estudo revela que a perda da biodiversidade global está alcançando um patamar quase irreversível.

Entre 1970 e 2006, por exemplo, o número de indivíduos de espécies de vertebrados teve um declínio de 30% em todo o mundo, e a tendência, segundo o GBO3, é de que a redução continue, especialmente entre animais marinhos e nas regiões tropicais. O relatório indica ainda que 40% das espécies de aves e 42% dos anfíbios apresentam população em queda.

Para reverter o quadro de sérios prejuízos ambientais e econômicos, seriam necessários investimentos em todo o planeta de aproximadamente U$45 bilhões por ano.
O relatório indica os cinco principais fatores de pressão sobre a biodiversidade: perda e degradação de hábitats (convertidos em plantações, pastagens, áreas urbanas), mudanças climáticas, poluição, sobreexploração dos recursos naturais e a presença de espécies exóticas invasoras. As intervenções humanas em lagos de água doce também foram apontadas como outro fator importante, pois devido ao acúmulo de nutrientes, inúmeras espécies de peixes foram levadas à morte em larga escala.

A acidificação e poluição dos oceanos vitimam ainda os recifes de corais, o que descaracteriza o ecossistema marinho. Nas grandes regiões do mundo, os hábitats naturais continuam a declinar em extensão e integridade, especialmente os bancos de algas marinhas, as zonas úmidas de água doce, as localidades de água congelada e os recifes de corais e de mariscos.

Segundo dados da World Conservation Union (União Mundial de Conservação), a ação do homem provoca 0,2% da perda média de espécies todos os anos, que ocorre ainda por queimadas e desmatamento impulsionados pelo mercado imobiliário e/ou monoculturas de larga escala, caça e tráfico de animais.

Extrativismo sem manejo adequado e mineração, dentre outros fatores de intervenção antrópica, também são causas crescentes do processo de extinção, por acompanharem as necessidades de uma população humana que, segundo estatísticas da ONU, é de 6,5 mil milhões, com perspectivas de aumento para 7 mil milhões até o ano de 2012.
De acordo com o secretário-executivo da Convenção sobre Diversidade Biológica, Ahmed Doghlaf, a perda da biodiversidade ocorre em uma velocidade sem precedentes. "As taxas de extinção podem estar mil vezes acima das médias históricas", alerta.

Apesar de o GBO3 ressaltar o aumento considerável das áreas de proteção ambiental (82% estão em áreas marinhas e 44% em regiões terrestres) e o progresso significativo da preservação de florestas tropicais e manguezais, dados do documento revelam que estas medidas não foram suficientes para alcançar a meta estabelecida.

Ações brasileiras - Há ainda outros pontos do documento do Pnuma considerados críticos. A Amazônia é citada como área sujeita a danos irreparáveis, em parte motivados pelo desmatamento e queimadas, e ainda pelas mudanças na dinâmica regional das chuvas e extinção de espécies.

 Brasil é citado como exemplo no que diz respeito à criação de áreas protegidas (unidades de conservação). Dos 700 mil quilômetros quadrados transformados em áreas de proteção em todo o mundo, desde 2003, quase três quartos estão em solo brasileiro, resultado atribuído em grande parte ao Programa de Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa).

Segundo o diretor do Departamento de Áreas Protegidas do MMA, Fábio França, para 2010, já está em fase final de negociação com governos estaduais e outros ministérios, a criação de novas áreas protegidas: 54.280 hectares no Cerrado; 405.900 hectares na Mata Atlântica; 600.000 hectares na Amazônia; 1.230.000 hectares na Caatinga e 101.200 hectares na Zona Costeira e Marinha.

Outra estratégia fundamental adotada pelo Brasil para combater o desmatamento e a extinção de espécies decorrente desta prática é o monitoramento por satélite de todos os biomas brasileiros, procedimento que, até 2008, era realizado apenas na Amazônia e em parte da Mata Atlântica.

Com a identificação e controle das principais causas do desmatamento na região amazônica em 2009, a devastação da floresta teve o menor índice (43% mais baixo) dos últimos 20 anos.

Os primeiros resultados sobre o Cerrado e Caatinga, levantados entre 2002 e 2008, já foram lançados, mostrando que quase metade da cobertura vegetal original destes biomas já foi destruída. Em 2010, também foram divulgados os dados referentes à cobertura vegetal do Pantanal e do Pampa, referentes ao mesmo período. E, em novembro, há previsão de que sejam divulgados os dados sobre a Mata Atlântica.

O monitoramento é uma iniciativa fundamental, pois permite estabelecer planos de ação de fiscalização, controle e combate ao desmatamento, bem como levar alternativas sustentáveis às regiões onde o desmate ainda é muito praticado.

Exóticas e invasoras - Também foi lançada, em 2009, a Estratégia Nacional sobre Espécies Exóticas Invasoras. O programa orienta as diferentes esferas do Governo a fim de mitigar e prevenir os impactos negativos destas espécies sobre a população humana, os setores produtivos, o meio ambiente e a biodiversidade.

Os eixos deste plano são a prevenção da introdução de novos indivíduos, bem como a mitigação da presença dos mesmos em biomas e bacias hidrográficas do Brasil. Atualmente, as invasões biológicas causadas por espécies exóticas invasoras são consideradas a segunda maior causa de perda da biodiversidade biológica do planeta, perdendo apenas para a destruição de hábitats.

No Brasil, os custos decorrentes dos impactos causados por estas espécies atingem cerca de U$50 bilhões ao ano. Entre elas, podemos citar o mosquito da dengue, o mexilhão dourado, o caracol gigante africano, a uva-do-japão, o capim-annoni e o amarelinho.

Também tem sido feita a atualização de listas de espécies brasileiras ameaçadas de extinção (fauna e flora), que servem como alerta e instrumento de monitoramento da política de conservação destas espécies. "O número de espécies em extinção está aumentando, o que é um sinalizador preocupante, pois demonstra que o objetivo de reduzir a taxa de extinção não tem sido alcançado", avalia João de Deus Medeiros, diretor do Departamento de Florestas do MMA.

Fundamentais para a conservação e recuperação de espécies ameaçadas de extinção (um dos principais compromissos dos países durante a CDB), estes levantamentos funcionam como instrumentos de implementação da Política Nacional da Biodiversidade, que inclui as Listas Nacionais Oficiais de Espécies Ameaçadas de Extinção; os Livros Vermelhos das Espécies Brasileiras Ameaçadas de Extinção e os Planos de Ação Nacionais para a Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção.

Evolução da vida - A biodiversidade é a totalidade das espécies de seres vivos de uma determinada região ou tempo, e abrange animais, vegetais, fungos e microorganismos, sendo responsável pela evolução e conservação da vida em todos os lugares. Sua manutenção depende do equilíbrio e estabilidade de ecossistemas, e seu uso e aproveitamento pela humanidade deve, necessariamente, ser feito de maneira sustentável de forma a preservá-los.

Desde que o homem começou a interferir na natureza, a biodiversidade tornou-se a base das atividades agrícolas, pecuárias, pesqueiras e florestais e, mais recentemente, da indústria de biotecnologia. Trata-se ainda da fonte prima para remédios, cosméticos, roupas e alimentos, entre outros produtos, e é essencial para a criação de grãos mais produtivos e resistentes a pragas e a outras doenças.
A espécie humana é apenas uma entre 1,75 milhão de espécies de vida conhecidas. O Pnuma estima que existam pelo menos 14 milhões de espécies vivas ao redor do planeta. Alguns especialistas calculam que esse número possa chegar a 50 milhões, ou ainda mais.

Extinção de espécies - A Convenção sobre Diversidade Biológica foi estabelecida em 1992, durante a ECO-92, no Rio de Janeiro, mas a meta de redução da perda da biodiversidade só foi fixada na Cúpula da Terra de Johannesburgo, em 2002.Durante o evento, os governos participantes se comprometeram a estabelecer medidas para combater a extinção de espécies.

Dentre os pontos acordados constam a redução da degradação de hábitats, o controle de espécies exóticas invasoras (que ocasionam prejuízos de aproximadamente R$ 2,5 trilhões nas economias de todo o planeta) e transferência de tecnologia para países em desenvolvimento. Das 21 metas estabelecidas pela ONU em 2002, nenhuma está próxima de ser cumprida.

A Convenção sobre Diversidade Biológica foi assinada por 156 nações - atualmente foi ratificada por 192 - e estabeleceu que os países têm direito soberano sobre a variedade de vida contida em seu território, bem como o dever de conservá-la e de garantir que seu uso seja feito de forma sustentável, isto é, assegurando sua preservação.

Um dos temas mais defendidos pela CDB é a necessidade de repartição justa e equitativa dos benefícios derivados do uso dos recursos genéticos. Eles seriam divididos entre todos os países e populações cujo conhecimento foi chave para sua utilização, como, por exemplo, comunidades acostumadas a usar plantas típicas de sua região desde tempos remotos, como os índios e outras populações tradicionais.

(Envolverde/MMA)*Edição: Gerusa Barbosa