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sexta-feira, 10 de agosto de 2012

PESQUISA & INOVAÇÃO: ACOMPANHANDO CASOS BRASILEIROS DE INOVAÇÃO ABERTA E A SUA REPERCUSSÃO NO MERCADO

Colaboração reforça o valor das relações

 

A inovação está na conexão entre diversos conhecimentos e aplicação em novas soluções. Quando se encara o espectro da inovação aberta em que se sabe que o conhecimento está em locais distintos e, por vezes, distantes, ou mesmo de multinacionais, com grande dispersão geográfica, surge o desafio de como criar e manter as conexões. O professor do KTH Royal Institute of Technology, Mats Magnusson, integra um grupo de pesquisa chamado MCID (Managing Collaborative Ideation Dynamics), que analisa como empresas de grande porte lidam com essa situação.

 

Mats Magnusson - Professor do KTH Royal Institute of Technology, após anos de estudo, percebe que a melhor alternativa para interligar diferentes atores de interesse só é encontrada caso a caso, dependendo do contexto e dos recursos disponíveis. Ele cita, por exemplo, a Ericsson, empresa com mais de 100 mil funcionários distribuídos pelo globo. A empresa gera conhecimento a todo instante e precisa compartilhar esse conhecimento em sua extensão. Mais que isso, entende que é importante que as pessoas conversem para além de seus setores, possibilitando o surgimento de inovações.

 

Nesse caso e em tantos outros, plataformas criadas na web são ferramentas importantes. A empresa criou um espaço no qual se comunicam pessoas de diversos países e cujas ideias postadas são divulgadas de acordo com as demandas que os gerentes apresentam, criando o que ele chama de caixas de demandas. Mais que um receptor, esse espaço estimula a interação e o feed back. “Ideias são lançadas a todo tempo e, para chegar à inovação, é preciso desenvolver. Por isso esse tipo de organização é importante para que a empresa consiga conduzir a evolução e manter os participantes ativos”, explica.

 

Outro exemplo interessante é a Scania, que criou um canal para relacionamento com motoristas de caminhão. O que surgiu daí foi uma série de discussões inesperadas sobre quesitos técnicos dos veículos. Dessa forma, a empresa pôde desenvolver diversas melhorias em seus produtos.

 

Segundo ele, é importante que as empresas identifiquem seus desafios e os atores que querem colocar em contato. “A colaboração se desenvolve a partir do relacionamento. Criar mecanismos que estimulem esse contato ajuda a criar laços que serão fundamentais. As plataformas online são apenas uma ferramenta. O que faz diferença é o uso que se faz dela e como elas são apropriadas e usadas na gestão da inovação”, diz. “Essa lógica pode ser usada também na cooperação internacional, pois se entende que é preciso criar pontes com determinadas pessoas para que a colaboração se estabeleça”.

 

INTERMEDIÁRIOS DE INOVAÇÃO

 

CONTATOS INTERMEDIADOS PARA A GERAÇÃO DE INOVAÇÃO

Centros de inovação, incubadoras, parques tecnológicos. São diversas as formas que podem ser chamadas de intermediários de inovação. O conceito, estudado pelo pesquisador Henry Lopez Vega, mostra o papel dessas organizações no impulso à inovação. Os recursos e conhecimentos estão dispersos e nem sempre é tarefa fácil encontrar os parceiros e as soluções mais adequadas. Os intermediários de inovação entram justamente no papel de conectores.

 

Pesquisador

“Nós observamos que, no fluxo da inovação, 90% das iniciativas não dão certo e apenas 10% se transformam em produtos, serviços ou novos negócios bem sucedidos”, diz. “Inovar não é fácil e é preciso encontrar meios de facilitar esse processo”. Segundo ele, quando uma empresa apresenta demanda por uma tecnologia específica, por exemplo, os intermediários ajudam a mapear se há algo disponível sendo estudado ou já pronto em algum outro lugar. Se descobrem que não, podem tomar a decisão consciente de investir em seu desenvolvimento. Se descobrem que sim, podem então avaliar quais os custos e benefícios de negociar a compra de um patente, por exemplo, ou o desenvolvimento em conjunto com outra instituição.

 

Para Lopez, é por isso que esses intermediários são relevantes também quando se pensa em cooperação internacional. Segundo ele, o segredo está em saber aproveitar os recursos disponíveis. Por exemplo, uma das iniciativas importantes para a criação desses links são programas de intercâmbio que colocam pessoas de diferentes países em contato acadêmica e profissionalmente, criando as bases para parcerias mais maduras. “Há empresas que oferecem programas de mestrado. Por que não aproveitá-los?”, diz.

No caso do Brasil, quando se pensa em cooperação internacional, o especialista alerta que é preciso ter foco. “O governo tem papel importante em estimular e financiar iniciativas que ajudem o país a se tornar referência em inovação em determinado setor. A Alemanha é forte em manufatura, a Itália, na área têxtil, a Espanha em tecnologia da informação e comunicação, a Finlândia em games. Em que o Brasil pretende ser referência no futuro?”, questiona

 

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEl

Cooperação entre Alemanha e Brasil pode ser viabilizada para desenvolvimento sustentável

Quando se pensa em cooperação internacional, é importante encarar quais as potencialidades dos países visados. A Alemanha abriga institutos e empresas de tecnologia avançada e pode encontrar no Brasil parceiro importante para desenvolver novos projetos.

Sabine Brunswicker

Chefe de Inovação Aberta do Fraunhofer Institute for Industrial Engineering

Para a chefe de Inovação Aberta do Fraunhofer Institute for Industrial Engineering, Sabine Brunswicker, atualmente o país encara o Brasil e outras nações emergentes como importante fonte de recursos e capital intelectual. “Estamos convencidos de que Brasil e Alemanha vêm trabalhando bem em colaboração. Mais que transferir tecnologia, nosso foco no país é trabalhar junto para desenvolver novas soluções”, diz.

 

Segundo ela, uma das áreas na qual os dois países enxergam um de seus maiores potenciais é o desenvolvimento sustentável. Sendo um dos países com ecossistema mais rico do planeta e aliado a um contexto de desenvolvimento econômico, seu meio ambiente sofre forte pressão. Por isso, a proteção dos recursos naturais é um dos desafios mais pungentes do Brasil. Ao mesmo tempo, essa é uma das áreas em que a Alemanha já vem trabalhando e, por isso, surgem oportunidades interessantes de colaboração.

 

“Estou trabalhando em um projeto no Rio de Janeiro ajudando a identificar novos negócios para tecnologia limpas, aliando inovação aberta e experimentação de modelos de negócio. Juntamos forças principalmente em relação à experiência de gerenciamento para fazer esse negócio dar certo”, exemplifica Sabine. “Há muito que pode ser trabalhado nessa área”.

 

Sabine entende que o Brasil está no foco de grandes empresas, que aos poucos abrem centros de pesquisa no país. O desafio é aproveitar essas oportunidades e acelerar o processo para estabelecer conexões promissoras. Ela ressalta ainda o papel do governo para ajudar empresas de pequeno e médio porte a se inserirem nesse movimento, uma vez que têm menos recursos disponíveis, mas podem desempenhar importante papel no processo de inovação.

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NOTÍCIAS DO CENTRO DE OPEN INNOVATION – BRASIL E SEUS PARCEIROS

 

Open Innovation Seminar recebe propostas de arenas e define fóruns

Para o Open Innovation Seminar 2012, mais de 20 empresas parceiras do Centro de Open Innovation – Brasil já se propuseram a construir as arenas de inovação – ambientes de colaboração em que pessoas e organizações com competências distintas se unem em busca de soluções para desafios comuns. Também foram definidos, ao longo das reuniões do comitê organizador do evento, os fóruns de inovação aberta – instâncias permanentes que serão lançadas no evento para aprofundar as discussões em relação aos principais aspectos relacionados à gestão da inovação aberta. Para cada um dos três temas principais, serão lançados quatro fóruns. Dentro de Gestão de Pesquisa e Desenvolvimento, o OIS lança os fóruns de Inteligência, transferência e valoração da tecnologia; Modelos de inovação: corporativo versus empreendedor; Pesquisa e Desenvolvimento Colaborativo; e Ecossistemas de Inovação. Já o tema Business Model Generation abrange os fóruns Social innovation; Business Model Generation e Aceleradoras, Gestão da Inovação e Sustentabilidade e Effectuation. Por último, em relação a Inovação em Serviços, serão trabalhados os fóruns Design Thinking; Open Government; User Innovation e Serious Gaming. 
Informações pelo link.

 

 

Selecionadas as melhores estampas do Desafio Criativo Lilica Ripilica

A Comissão Técnica Julgadora do Desafio Criativo Lilica Ripilica selecionou os 85 desenhos mais próximos da final. Agora eles seguem para comissão classificadora, que fará a última avaliação. Entre os estados, destaca-se São Paulo, que responde por 36% dos concorrentes selecionados. Santa Catarina também apresenta forte participação (19%), seguido por Rio Grande do Sul (13%) e Rio de Janeiro (12%). Os demais finalistas são do Paraná, Minas Gerais, Ceará, Goiás e Distrito Federal. O desafio, organizado pela Marissol, mobilizou milhares de desenhistas, designers, artistas plásticos e estudantes, que criaram estampas contínuas para a marca. O resultado oficial será divulgado no dia 17 de setembro. Informações no site.

 

Natura Campus lança chamada de projetos em agosto

O Programa Natura Campus, iniciativa para construção das redes de inovação da Natura com a comunidade científica, lança em 15 de agosto a chamada 2012 de projetos de pesquisa e inovação. A chamada está divida em duas categorias: Programa Amazônia e Ciência, Tecnologia e Inovação. A primeira categoria é destinada a projetos liderados por instituições de ciência e tecnologia sediadas na região amazônica e abre espaço para temas como: Cultura e Sociedade; Conservação e Biodiversidade; Florestas e Agricultura; e Design de Produtos e Processos. Na segunda categoria, o objetivo é apoiar projetos de inovação transformadora, que possibilitem a formação e fortalecimento de uma rede global de pesquisa. É uma oportunidade para desenvolverem projetos em colaboração com a empresa nas áreas de Ciências Clássicas e Avançadas de Pele e Cabelo;  Ciências do Bem Estar e Relações; e Sentidos, Design e Experiências e Tecnologias Sustentáveis. Informações no site.

 

novação aberta é tema de debate entre CNPq e INPI

Em encontro realizado em julho pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, uma mesa de debates do CNPq e INPI, colocaram em debate a inovação aberta no Brasil. O tema foi pautado em meio à observação de desafios enfrentados pelo país na última década, como o aumento da dependência tecnológica e dificuldades na balança comercial em setores considerados de média e de alta intensidade tecnológica (farmacêutico, TIC, saúde, química e máquinas e equipamentos).

O presidente do CNPq, Glaucius Oliva, destacou a importância de procurar competências complementares fora do ambiente institucional ou empresarial. “Quero inovar, não sei fazer sozinho e vou procurar fora de onde estou outro ator para desenvolver projetos conjuntos, por meio de licenciamento de opção, acordos de financiamento de pesquisa, criação de empresas dentro de centros universitários, realização de chamadas de projetos por empresas, estágios, consultorias, doações por empresas, entre outras”, disse.

Já o presidente do INPI, Jorge Ávila, afirmou que o Brasil é um país de industrialização tardia, baseada na aquisição de competências tecnológicas desenvolvidas no exterior: “Nós temos que enfrentar a realidade de um processo histórico. Não houve um ambiente de estímulo ao processo de inovação”.

 

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