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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

A dúvida entre menos carbono e mais créditos sociais

As economias latino-americanas têm um longo caminho a percorrer para reduzir seu consumo de carbono sem deter o desenvolvimento econômico e social. É urgente aumentar as energias renováveis e os processos de aprendizagem de novas tecnologias.

“A idéia básica é gerar crescimento econômico com inclusão social e uma pegada baixa em carbono, com regulamentações e subsídios para alternativas energéticas”, disse ao TerraViva o economista mexicano Luis Galindo, que coordena um estudo sobre crescimento econômico e baixo carbono no México para a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).

O México emite por ano 715,2 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO²), o principal gás-estufa que aquece o planeta, segundo o inventário nacional correspondente a 2006. Delas, 61% se originam na produção de energia, 22% na indústria e 14% no desmatamento. A geração elétrica, baseada principalmente no uso de hidrocarbonos, responde por 114 milhões de toneladas. Um país pequeno como o Chile lança 95 milhões de toneladas na atmosfera, das quais 85% do ramo energético, segundo o informe “A Economia da Mudança Climática no Chile”, coordenado pela Cepal.

“O que ocorre na América Latina é importante para o resto do mundo. Importa o que se faz não apenas para reduzir as emissões, mas em adaptação. Podem ser criados impostos sobre carbono, mercados de bônus de carbono, diferentes combinações para diferentes partes da economia”, disse ao TerraViva o economista inglês Nicholas Stern. Este especialista é autor do primeiro informe mundial sobre a economia da mudança climática, publicado em 2007.

Nicholas e Luis participam em Cancún da 16ª Conferência das Partes (COP 16) da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática, que terminará no dia 10, neste balneário mexicano. Um dos temas centrais da reunião é como reduzir a pegada de carbono das economias, um desafio que gira essencialmente em torno da produção e do consumo de energia.

O estudo “A Economia da Mudança Climática no México”, coordenador por Luis, prevê um ritmo de aumento no uso de energia de 2,4% ao ano entre 2008 e 2100, e reconhece que um ajuste de preços e uma ligeira baixa no consumo seriam insuficientes para controlar o aumento da demanda. Países como o México destinam quantias milionárias de fundos públicos para subsídios ao consumo de água, eletricidade e gasolina, ineficiente, segundo os especialistas e diversos estudos.

Por exemplo, as ajudas aos combustíveis superam os US$ 2 bilhões anuais, enquanto o orçamento deste ano do Programa Especial de Mudança Climática 2009-2012, anunciado pelo presidente do México, Felipe Calderón, situa-se em US$ 1,3 bilhão. As emissões globais de CO² rondam os 48 bilhões de toneladas e, com crescimento econômico nulo, teriam de baixar para 44 bilhões em dez anos, para estacionarem em 20 bilhões em 2050, segundo as estimativas de Nicholas. A média mundial não deveria superar as duas toneladas por habitante.

“Temos uma economia primária muito atrasada, politizada, e isso dificulta a adoção de políticas adequadas”, disse ao TerraViva o mexicano Boris Graizbord, coordenador do Programa de Estudos Avançados em Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do estatal Colégio do México, também presente em Cancún.

Os efeitos da mudança climática podem exigir anualmente 6% do PIB mexicano até 2100, se não forem tomadas medidas para mitigar e adaptar-se a essas consequências, segundo o estudo da Cepal, solicitado pelos ministérios da Fazenda e de Meio Ambiente e Recursos Naturais (Semarnat). No caso chileno, esse número seria 1,1% do PIB anual até 2100, segundo projeções da Cepal.

“Existe uma relação importante entre o consumo de energia por pessoa e as emissões de carbono por pessoa, e entre o consumo de energia e a renda per capita. Um crescimento econômico se traduz em maior consumo de energia e em mais emissões de gases causadores do efeito estufa”, disse Luis, acadêmico da Universidade Nacional Autônoma do México.

No México, a contaminação por habitante dispararia a partir de 2040, enquanto no Chile as emissões aumentariam para 233 milhões de toneladas em 2030, com média individual de 11,9 toneladas anuais. A nação norte-americana se comprometeu em reduzir 50 milhões de toneladas anuais até 2012, plano que cumpriu em 42%, segundo o Semarnat. “Todo país tem de eliminar os subsídios aos combustíveis fósseis. Há muito mais sentido dirigir esse dinheiro para energias renováveis e processos de aprendizado das novas tecnologias. Além disso, é preciso corrigir os erros do mercado”, recomendou Nicholas.

O governo mexicano iniciou programas de substituição de refrigeradores, aquecedores de água a gás e lâmpadas incandescentes para promover a eficiência e a economia de energia.

O documento da Cepal sobre o México recomenda a revisão dos subsídios para gasolina, água e eletricidade, a transição para um crescimento econômico com menor conteúdo contaminante e a criação de um mercado nacional de bônus de carbono. “É preciso obrigar a Petróleos Mexicanos e a Comissão Federal de Eletricidade (estatais) a desenvolverem estratégias sustentáveis”, disse Boris. Estes dois monopólios têm uma incidência direta na emissão de dióxido de carbono.

No Chile, a Cepal colabora com a elaboração de um estudo sobre a economia baixa em carbono e na Argentina com a medição econômica dos impactos da mudança climática.

Fonte: (IPS/Envolverde) (*)Emilio Godoy, da IPS

 

 

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