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terça-feira, 15 de março de 2011

NOTICIAS MDL SUSTENTAVEL

Energias limpas registram rendimentos de US$ 188bi

A expansão dos lucros das indústrias de renováveis até 2010 foi muito mais rápida do que a prevista por especialistas e a atual procura por ações dessas empresas, por causa da crise nuclear, projetam um 2011 ainda melhor  - Leia mais

 

Estado do Rio de Janeiro inova ao criar subsecretaria de Economia Verde

 

Rio de Janeiro - O Rio de Janeiro é o primeiro estado a ter uma subsecretaria de Economia Verde, que tem por finalidade tornar a economia fluminense mais limpa, mais moderna e mais forte. A subsecretária de Economia Verde, Suzana Kahn, encarregada pelo secretário do Ambiente, Carlos Minc, de alcançar o objetivo de, a médio e longo prazos, diminuir as emissões de carbono no estado, falou ontem sobre sua missão:

 

"Queremos criar um mercado estadual, mas, para isto, precisamos estabelecer limites para que cada setor tenha uma cota para transacionar neste mercado. Neste momento é adequado fazer esta mudança, este crescimento para o futuro, mesmo sabendo que isto não é de imediato. Este mercado de carbono só existe, ainda, em outros países", disse a subsecretária.

 

De acordo com Suzana, um dos objetivos da subsecretaria é tornar o estado do Rio o primeiro do país a ter um mercado de carbono como existe na Europa, com a comercialização entre empresas de licenças para emitir gases-estufa. Atualmente, o comércio de crédito de carbono está movimentando a economia de grandes países.

 

Anualmente, são lançados mais de 35,5 bilhões de toneladas de dióxido de carbono na atmosfera, o principal gás causador do aquecimento global. A Subsecretaria Verde trabalha com três linhas para fomentar a economia verde ou diminuir a intensidade de carbono na economia: compensação; processos mais produtivos e eficiência energética; e atividades que não emitam carbono. A partir daí, serão criados projetos de redução de emissões de gases causadores do efeito estufa.

 

"A ideia da Subsecretaria de Economia Verde consiste em ter um novo modelo forte de desenvolvimento considerando questões associadas ao ambiente. Este é um fator motivador deste novo estilo de desenvolvimento. Esta é uma nova forma de crescimento. Economia verde é termo da moda e que começa a circular com mais vigor no mundo, embora ainda soe meio volátil. Inclusive, este será o tema da próxima Conferência de Meio Ambiente da Organização das Nações Unidas (ONU), que se realizará no Rio de Janeiro em junho de 2012", explicou Suzana

 

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Fonte: Diário do Vale

 

 

NOTICIAS MDL SUSTENTAVEL - BRASILEIROS CRIAM FILTRO DE METAIS PESADOS COM CASCAS DE BANANA

Filtro de casca de banana(*)

O velho clichê de atirar fora as cascas de uma banana não faz justiça às mil e uma utilidades já descobertas para esse biomaterial.

Muito além de dar tombos nos outros, as cascas de banana são usadas em receitas culinárias, para polir pratarias, limpar sapatos e outros objetos de couro e até para limpar as folhas das plantas no jardim.

Agora, um grupo de pesquisadores da UNESP, em Botucatu, adicionou mais uma utilidade para elas: a purificação de água contaminada com metais potencialmente tóxicos.

Gustavo Castro e seus colegas descobriram que a casca de banana picada é um purificador de água tão ou mais eficiente do que vários outros materiais disponíveis destinados a cumprir essa função.

Banana para os metais pesados

Inúmeros processos industriais - incluindo a mineração, o escoamento de rejeitos das fazendas e os mais conhecidos rejeitos industriais - lançam vários metais pesados, como cobre e chumbo, nos cursos d'água, com efeitos adversos para a saúde e o meio ambiente.

Os métodos atuais para remover metais pesados da água são caros e, paradoxalmente, algumas das substâncias usadas nesses processos são tóxicas.

Trabalhos anteriores já demonstraram que alguns resíduos de origem vegetal, como fibras de coco e cascas de amendoim, são capazes de remover esses metais pesados da água.

Foi isto o que inspirou Renata Castro a efetuar experimentos com cascas de banana picada, com vistas a verificar se o material também pode atuar como purificador de água.

Purificador barato

Os experimentos realizados por Renata revelaram que a casca de banana picada consegue remover rapidamente o chumbo e o cobre diretamente a partir da água de um rio.

A eficiência verificada foi equivalente ou melhor do que uma série de outros materiais já testados para o mesmo fim.

Um aparelho de purificação de água à base de casca de banana pode ser usado até 11 vezes sem perder suas propriedades de captura dos metais.

A equipe brasileira acrescenta que as cascas da banana são muito atraentes como purificadores de água devido ao seu baixo custo e porque elas não precisam de qualquer modificação química para funcionarem na captura dos metais pesados.

Bibliografia:

 

Banana Peel Applied to the Solid Phase Extraction of Copper and Lead from River Water: Preconcentration of Metal Ions with a Fruit Waste

Renata S. D. Castro, Larcio Caetano, Guilherme Ferreira, Pedro M. Padilha, Margarida J. Saeki, Luiz F. Zara, Marco Antonio U. Martines, Gustavo R. Castro - Industrial & Engineering Chemistry Research

february 2011  - Vol.: 50 (6), pp 3446-3451   - DOI: 10.1021/ie101499e

 

(*) Fonte: Redação do Site Inovação Tecnológica - 14/03/2011

Link: http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=filtro-metais-pesados-cascas-banana&id=010160110314&ebol=sim

 

CIENTISTAS DO INSTITUTO DE QUÍMICA E BIOTECNOLOGIA DA UFAL DESENVOLVEM REAÇÕES QUÍMICAS DE OLHO NA ECONOMIA

 

Pode soar estranho, mas é justamente nos momentos de crises econômicas que as maiores inovações são produzidas no mundo científico. O desenvolvimento do biodiesel é um dos maiores exemplos disso: foram nas crises do petróleo que diversos pesquisadores começaram a pensar numa alternativa de combustível para as nossas necessidades

 

Conforme Simoni Meneghetti, pesquisadora do Instituto de Química e Biotecnologia (IQB) da Ufal, foi a partir de 1937, com o primeiro patenteamento da metodologia de obtenção de biodiesel, que se iniciaram as pesquisas no desenvolvimento desse combustível. “Mas ele ganhou maior destaque com as crises do petróleo na década de 80, época em que o nosso Proálcool começou, e com a crise de 2000, com a valorização do petróleo”, acrescenta Simoni.

 

O Biodiesel é produzido a partir de óleos e gorduras vegetais ou animais. Mas não é só visando a necessidade de buscar alternativas para o petróleo que as pesquisas são desenvolvidas nas universidades. Na Ufal, o Grupo de Pesquisa de Catálise e Reatividade Química (GCaR) – formado pelos professores Mario Meneghetti, Simoni Meneghetti, Rusiene Almeida e Daniel Thiele, pós-doutorandos e alunos dos cursos do Instituto, de Engenharia Química e Farmácia –, desenvolve estudos para o melhoramento da eficácia na produção desse combustível e de outros produtos nas áreas de Oleoquímica, que são desenvolvidos pensando-se na substituição dos produtos utilizados na área de petroquímicos, por exemplo. Além disso, o grupo estuda a Síntese de Materiais Nanoestruturados, Compostos Organometálicos e Metalo-fármacos.

 

O grupo atua no desenvolvimento e inovação tecnológica de novos catalisadores com potencial de aplicação na área de obtenção de biocombustíveis e materiais, fazendo com que os processos ocorram de maneira mais rápida e eficiente. Os catalisadores são responsáveis por acelerar as reações sem serem consumidos durante o processo.

 

“Desenvolvimentos nessas áreas proporcionam, por exemplo, que se utilize menos água, energia e um menor número de etapas num processo, gerando um menor custo. Por exemplo, hoje se produz biodiesel com a soda acústica. Mas esse processo requer 15 litros de água para purificar apenas 1 litro de biodiesel. Atualmente, indústrias ainda podem dispor de muita água, mas com o cenário político e ambiental do futuro, talvez não possamos arcar com esses custos, daí a necessidade em desenvolver pesquisas na área dos catalisadores. Apesar dessa água ser reciclada, isso apresenta um custo muito grande para a indústria”, explica Simoni.

 

Os novos catalisadores produzidos pelo grupo de pesquisa serão utilizados na obtenção de biodiesel e de materiais que serão empregadas nas indústrias químicas. Como fruto das pesquisas, o IQB já iniciou alguns processos de patenteamentos desses produtos. Mais recentemente, o Instituto vem desenvolvendo pesquisas na área de obtenção de hidrogênio e carbono ordenado a partir da decomposição catalítica do gás natural. Além disso, vem atuando na elaboração de novos metalo-fármacos, complexos metálicos com propriedades farmacológicas, com resultados bastante promissores.

 

As atividades de pesquisa do Grupo vêm sendo reconhecidas pela comunidade acadêmica, através de prêmios em congressos, participação em processos de avaliação de cursos de pós-graduação. “Para isso o grupo conta com uma excelente infraestrutura laboratorial para realização de sínteses e reações catalíticas, bem como de equipamentos para análise e caracterização de diversos produtos e materiais”, ressalta Simoni.

 

Fonte: Ufal - Assessoria de Comunicação - ASCOM

VEREADOR DE MARINGÁ QUER OBRIGAR ÓRGÃOS PÚBLICOS A SEPARAR ÓLEO DE COZINHA

A Câmara de Maringá vota, na sessão desta terça-feira (15), o projeto do vereador Flávio Vicente (PSDB) que altera a redação da lei que autoriza a instalação de uma usina para a produção de biodiesel no Município. Pela proposta todos os órgãos públicos municipais que dispõem de cozinha ficam obrigados a promover a separação, o acondicionamento e a apresentação para a coleta seletiva das gorduras e óleos vegetais residuais.

Em segunda discussão serão votados quatro projetos do Executivo. O primeiro altera a lei que dispõe sobre a contratação de pessoal para o atendimento do Projeto Centro de Referência de Assistência Social (CRAS). Pelo projeto o número de assistentes sociais passa de 8 para 12.

Projeto do Executivo altera o artigo primeiro da lei 7.202/2006 que autoriza o chefe do Executivo a alienar os lotes que especifica, dispensando a realização de concorrência pública. O projeto inclui o lote 581/B-4 da Gleba Patrimônio Maringá, com 200,22 metros quadrados, que por um equívoco não foi relacionado no texto original da lei.

Outro projeto do Executivo autoriza a alienação de lotes da Gleba Ribeirão Pinguim e também de área pública do Parque das Grevíleas. Os lotes ficam na interseção da Rua Arlindo Planas com a linha férrea e serão afetados pela construção do falto túnel até a Avenida 19 de Dezembro. A área pública do Parque das Grevíleas será utilizada na construção do Contorno Norte.

Também do Executivo, será votado em segunda discussão, projeto desafetando de seu uso original cinco datas da quadra 68 do Conjunto Residencial Rodolpho Bernardi.

De autoria do vereador Dr. Heine Macieira (PP), será votado em primeira discussão projeto denominando Daniel Gustavo Pereira de Jesus a Rua 36.569, situada no Jardim Nova América, Zona 36.

Também de autoria do vereador Dr. Heine será votado, em primeira discussão, projeto que declara de utilidade pública a associação Teatro & Ponto Produções Artísticas – Tponto.

Requerimentos

Em discussão única os vereadores irão votar quatro requerimentos. O vereador Flávio Vicente (PSDB) deseja saber se há alguma atividade programada para a Semana Municipal de Prevenção do Câncer de Pele, que se realiza na última semana do mês de novembro.

O vereador Humberto Henrique (PT) quer saber a quantidade de árvores que caíram sobre veículos e residências, motivando indenizações aos respectivos proprietários, ano a ano, desde 2005.

O vereador Dr. Heine Macieira (PP) quer saber se a lei que dispõe sobre a distribuição dos exames complementares entre as clínicas conveniadas com o SUS está sendo cumprida.

O vereador Dr. Paulo Soni (PSB) quer saber se há previsão para a instalação de lixeiras na região central do Município, e, em caso positivo, informe quantas unidades serão instaladas e qual a data prevista para a colocação das lixeiras.

 

quinta-feira, 10 de março de 2011

LEI DE RESÍDUOS ABRE CAMINHO NO BRASIL PARA NOVAS TECNOLOGIAS DE DESTINAÇÃO DO LIXO

Com a entrada em vigor da lei nacional de resíduos sólidos, sancionada no final de 2010, novas tecnologias para resolver o problema do lixo urbano começam a chegar ao Brasil. Até 2014, o País precisa eliminar os lixões e melhorar as condições de aterros que nem sempre tratam o chorume e os gases da decomposição do lixo - hoje, 43% dos resíduos coletados no Brasil não recebem destinação adequada.

 

Entre as tecnologias que começam a se tornar competitivas estão a transformação dos resíduos em combustíveis, conhecida pela sigla CDR (combustível derivado de resíduo).

 

A empresa de gestão de resíduos Estre Ambiental trouxe essa tecnologia para o País e instalou em Paulínia (SP) o Tiranossauro, um equipamento importado da Finlândia. Em um galpão de 6,2 mil m², a máquina tritura, separa e transforma o lixo em combustível. "Com essa máquina, é possível dar destino do lixo orgânico até resíduos mais volumosos, como móveis e colchões velhos", explica Pedro Stech, diretor de Tecnologia Ambiental da Estre. O equipamento, em testes, deve começar a operar comercialmente em abril.

 

De lixo a combustível

 

tech explica que a tecnologia CDR está em operação em outras 50 cidades do mundo, como Roma e Helsinque. A unidade em testes em Paulínia tem capacidade para processar 1 mil toneladas de lixo por dia e permite produzir 500 toneladas/dia de combustível para fornos industriais - que pode ser usado para alimentar caldeiras e fornos hoje abastecidos com combustíveis fósseis, como carvão.

 

"O equipamento ainda precisa passar por ajustes, mas é uma solução viável para regiões metropolitanas, que produzem muito lixo diariamente e já não podem contar com aterros", diz.

 

A tecnologia da incineração dos resíduos em termelétricas que geram energia elétrica, comum na Europa e Japão, é outra que deve entrar em operação nos próximos meses. Há estudos de viabilidade em andamento - de capitais como Belo Horizonte a municípios de porte médio, como São Sebastião, Barueri e São Bernardo do Campo (SP).

 

Diversificação de tecnologia

 

Com a aprovação da lei nacional de resíduos, a tendência é que haja uma diversificação nas tecnologias para dar destino aos resíduos no País", diz Carlos Roberto Vieira da Silva Filho, diretor executivo da Abrelpe, entidade que reúne empresas de coleta e destinação do lixo. Segundo ele, o custo da incineração dos resíduos ainda é um empecilho - em torno de R$ 250 a tonelada, enquanto o custo médio da destinação a aterro é de R$ 90 a tonelada. "Mas esses custos podem ser reduzidos com a venda da energia elétrica gerada pelo sistema", diz Silva.

 

Para Lúcia Coraça, diretora de Química e Energia da Pöyry, empresa que atualmente realiza um estudo de viabilidade para uma unidade de incineração em Belo Horizonte, a incineração pode ajudar a resolver o problema do lixo nas metrópoles. "É possível conciliar a reciclagem dos materiais com a incineração", diz.

 

Fonte: Portal Meio Ambiente - 03/03/2011

SEMA LANÇA PROJETO RECICLAGEM EM PARCERIA COM EMPRESAS E IGREJA

“Ajude a preservar a vida!” doando garrafas Pet e óleo vegetal usado ao Projeto Reciclagem  

O Projeto Preservar poderá estar bem próximo de você, na associação de moradores de seu bairro, na sua igreja ou mesmo entidade de classe. O projeto piloto da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) foi lançado neste domingo (27.02) durante o culto da Igreja Batista Boas Novas, com a presença do governador Silval Barbosa. O projeto conta com a parceria do Centro das Indústrias Produtoras e Exportadora de Madeira de Mato Grosso (Cipem), Tintas Maxvinil e a Igreja Batista Boas Novas.

O governador Silval Barbosa destacou que “cada um fazendo sua parte teremos um meio ambiente melhor para vivermos”. Silval disse que o lançamento marca o início de vários programas da Sema, que contará com a participação de entidades. A Igreja Batista Boas Novas, com apoio do pastor Carlos Henrique Ribeiro, aderiu ao projeto e será agora aberto a outras entidades que queiram também participar.

Silval Barbosa lembrou também que o Governo – dentro desse espírito de preservação de nosso patrimônio natural, através da Secretaria de Trabalho, Emprego, Cidadania e Assistência Social – em parceria com a Caixa Econômica Federal de Mato Grosso – vai entregar 1.200 casas para famílias que moram em áreas de risco.

Segundo o secretário de Meio Ambiente, coronel Alexander Maia, o Projeto Reciclagem é um projeto piloto, mas que poderá ganhar proporções imagináveis, pois vai contar com a participação de igrejas, centros comunitários, enfim, toda uma gama de entidades. Aqueles que desejarem participar do projeto vão receber o material para coleta das doações de forma gratuita.

É uma doação mesmo. O material arrecadado pela igreja, pela associação de moradores ou entidades serão comprados pela empresa Tintas Maxvinil e esses recursos poderão ser usados da melhor maneira possível . As garrafas Pets voltaram a ser garrafas Pets: de seis embalagens (iguais) poderão ser feitas cinco novas embalagens. A empresa fabricadora dessas embalagens informa que em Mato Grosso são comercializados 1.200 toneladas/mês de embalagens e apenas 300 toneladas retornam para reciclagem. O restante é descartado de forma inapropriada e acabam – grande parte – poluindo nossos rios, segundo o empresário Joaquim Curvo. O desafio é coletar essas embalagens. Mas isso – segundo ele – só será superado em conjunto: governo, empresas e sociedade.

Quanto ao óleo de cozinha – que tem sido um transtorno para as empresas de tratamento de água, quando descartado na pia da cozinha – as empresas de tintas atualmente já dominam a tecnologia e 30% das tintas produzidas no país já utilizam óleo vegetal. Para que o óleo seja descartado de forma correta as pessoas – através das entidades participantes – vão receber um recipiente no qual se coloca uma embalagem Pet de refrigerante de dois litros para armazenar o óleo usado e depois entregar nos postos de recebimento.

A Igreja Batista Boas Novas, a primeira a aderir ao projeto, está localizada na Avenida Fernando Corrêa, Coxipó.

 

UNIVERSIDADES LANÇAM CURSOS VOLTADOS PARA O MERCADO "VERDE"

UNIVERSIDADES LANÇAM CURSOS VOLTADOS PARA O MERCADO "VERDE"

A preocupação do mercado com o impacto social e ambiental dos negócios está fazendo as universidades brasileiras criarem cursos de graduação que tenham a sustentabilidade como um de seus principais pilares.

Nos últimos anos, os currículos de bacharelados e licenciaturas têm ganhado novas ênfases como biodiversidade, agroecologia e energias renováveis. Mesmo com enfoque "verde", as escolas não deixaram de lado a empregabilidade dos recém-formados, fechando parcerias com empresas e adaptando seus conteúdos às necessidades das companhias nas regiões onde atuam.

A maior parte dos novos cursos se concentra em áreas como engenharia e agronomia. A formação técnica, no entanto, passa a ser complementada por disciplinas que relacionam a atividade produtiva ao impacto social e ambiental. "Como essa é uma questão cada vez mais valorizada pelas indústrias, os alunos precisam ter formação multidisciplinar, com uma visão moderna desse novo mercado", afirma Carlos Carneiro, coordenador do curso de engenharia mecânica: energias renováveis e tecnologia não poluente da Universidade Anhembi Morumbi, criado no ano passado.

A instituição abriu recentemente uma graduação em engenharia ambiental e sanitária. Ambos os bacharelados já possuem parcerias com indústrias e um laboratório de estudos em produção limpa. "As empresas brasileiras já têm a consciência de que produzir de forma mais eficiente envolve menos impacto ambiental e gastos de energia. Isso exige profissionais que tenham perfil e formação especializados", afirma Carneiro.

O futuro da produção de energia também motivou a criação do bacharelado em engenharia de energias renováveis e ambiente, na Universidade Federal do Pampa (Unipampa), em 2006. Inicialmente dirigido ao agronegócio, o curso, que fica em Bagé, no Rio Grande do Sul, voltou-se para as tecnologias renováveis. A mudança abriu portas para os alunos, uma vez que três parques eólicos estão sendo construídos na região. "O mercado de trabalho é amplo e abrange usinas de energia, renovável ou não, e qualquer indústria que tenha preocupação com a eficiência energética", afirma a coordenadora Cristine Schwanke.

Apesar de novo e ainda sem nenhuma turma formada, o curso já é o segundo mais disputado do campus, só perdendo para a engenharia de produção. "O currículo prevê uma mistura de conhecimentos básicos, específicos e profissionalizantes, sempre permeados pela parte ambiental", diz.

Incentivada pelo Governo Federal por meio do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), a interdisciplinaridade também é a marca do curso de agroecologia e biotecnologia da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), com campus em Santarém. Com 200 recém-ingressos, a nova graduação começou as aulas em 24 de fevereiro.

Segundo João Ricardo Gama, diretor do Instituto de Biodiversidade e Florestas (Ibef) da instituição, os alunos escolhem a ênfase que vão dar ao curso após o segundo semestre. No final, os formandos podem ter diplomas de farmácia, agronomia, engenharia florestal ou zootecnia. No futuro, os estudantes ainda poderão escolher a especialização em engenharia de alimentos.

Todas as graduações têm a sustentabilidade como viés principal. "O objetivo é promover o desenvolvimento sustentável da Amazônia, passando pela transformação da biodiversidade em produto", afirma Gama. Segundo ele, a demanda na região é grande para profissionais com essa formação. "Além de empresas e órgãos públicos, há possibilidade de atuação em assentamentos e comunidades de agricultura familiar."

A agricultura familiar, inclusive, foi a principal motivadora do curso de agroecologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), criado em 2009 e já na sua terceira turma. A coordenadora do curso, Anastácia Fontanetti, acredita que a ênfase nas pequenas comunidades não limita a atuação do profissional. "O curso foi criado para atender à necessidade do mercado, que exigia profissionais de agronomia com visão mais ampla tanto da parte produtiva quanto dos impactos ambiental e social."

O escopo abrangente, na opinião da coordenadora, torna o profissional com essa formação apto para trabalhar em mercados locais, com certificação de produtos orgânicos, e nas grandes empresas. "Nessas companhias, o agroecólogo pode atuar com restauração de áreas degradadas, avaliação e perícias de impacto ambiental", explica.

A relação candidato/vaga do curso, que é oferecido no campus de Araras, no interior de São Paulo, quase dobrou este ano em relação a 2010. O aumento do interesse dos alunos tem feito com que a coordenação busque parcerias com empresas e órgãos públicos. "Já recebemos pedidos de indicação para assistência técnica em agricultura orgânica", comemora. O futuro da profissão, segundo Anastácia, é promissor. "A agronomia é uma atividade que está se valorizando no Brasil. A agroecologia vai além e atende a essa demanda de sustentabilidade, que será cada vez mais cobrada do profissional."