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quarta-feira, 18 de abril de 2012

PRIMEIRA OPERAÇÃO DA BOLSA VERDE DO RIO SERÁ NEGOCIAR CRÉDITO DE CARBONO EMITIDO DURANTE RIO+20

Bolsa Verde do Rio de Janeiro (BVRio), criada para negociar créditos de ativos ambientais, terá sua primeira operação durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20). Segundo o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, a primeira transação será a negociação de créditos de carbono emitidos durante o encontro internacional, que ocorrerá em junho deste ano.

 

"Já está sendo feito o cálculo e a primeira operação será na Rio+20, com empresas que vão comprar ações que comprovadamente abatem a totalidade das emissões geradas pela conferência, inclusive o transporte das delegações estrangeiras e todas as atividades", disse Minc, em evento sobre a Rio+20 na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

 

Além de créditos sobre a emissão de gases de efeito estufa (créditos de carbono), a BVRio também negociará créditos para outros problemas ambientais, como o desmatamento e a emissão de poluição em corpos hídricos. A bolsa, criada no fim do ano passado, é uma entidade sem fins lucrativos que funcionará com o apoio da prefeitura do Rio e do governo fluminense.

 

"A bolsa vai permitir que setores da economia que tenham custo mais alto para a redução das emissões comprem créditos de setores que tenham custos mais baixos", disse Minc.

 

O mercado de crédito de carbono foi proposto pelo Protocolo de Quioto, que previu metas de redução da emissão de gases de efeito estufa para empresas e governos. O mercado permite que empresas que não emitem ou emitem menos gases de efeito estufa coloquem à venda ações na bolsa de valores.

 

Cada ação corresponde a um determinado volume de gases de efeito estufa que deixou de ser emitido. Empresas que emitem muitos gases de efeito estufa podem comprar essas ações para atingir as metas propostas, como se elas próprias estivessem cortando suas emissões.

 

Segundo o secretário, durante a Rio+20, também será inaugurado o primeiro dos dois distritos verdes que serão criados no estado. O Distrito Verde tecnológico funcionará na Ilha de Bom Jesus, ao lado da Cidade Universitária do Rio, e terá espaço para a instalação de dez centros de pesquisas em tecnologia limpa. As duas primeiras empresas a se instalarem nesse distrito serão a L'Oreal e a GE.

 

O segundo Distrito Verde - industrial - só será inaugurado depois da Rio+20 e funcionará na cidade de Itaguaí, na região metropolitana do Rio. "Serão empresas também ligadas à tecnologia limpa. Nesse caso, já estão interessadas [em se instalar] uma empresa chinesa ligada à energia eólica e uma espanhola que vai fazer equipamentos para energia solar, como painéis e conversores", disse. Fonte: Revista DAE

 

terça-feira, 17 de abril de 2012

ESPECIALISTAS EM SUSTENTABILIDADE COBRAM MAIS PARTICIPAÇÃO SOCIAL E CIENTÍFICA

Especialistas em sustentabilidade reunidos na segunda-feira (16), em São Paulo, cobraram uma maior participação da sociedade e da ciência na construção dos debates da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20). O seminário, organizado pelo Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam), foi marcado por críticas à agenda programada para a conferência, principalmente no que diz respeito ao “viés empresarial” do evento.

 

“O que nós percebemos é que há uma posição fechada de governos, do setor econômico e de entidades não governamentais mais chapa branca, em uma posição de manutenção do status quo”, apontou Carlos Bocuhy, membro do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) e presidente do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam).

 

“A ciência não é ouvida em relação aos ecossistemas, ou seja, há uma grande interrogação nesse processo [da Rio+20]. A gente corre o risco que a conferência seja apenas mais um momento para pintar o que nós já temos aí de verde e não de, realmente, proporcionar para a sociedade planetária um salto de qualidade na gestão do planeta”, completou Bocuhy.

 

Iara Noveli, professora livre docente em oceanografia biológica da Universidade de São Paulo (USP), contestou a pequena participação, segundo ela, de grupos tradicionais (como os ligados à agricultura familiar) que encontraram soluções simples para os problemas relacionados à sustentabilidade. “[Não estão sendo ouvidos] os grupos sociais que vêm batalhando e saem das crises com ideias bem boladas, grupos da agricultura familiar, grupos de pouquíssimos recursos, com ideias muito interessantes”, exemplificou.

 

A Rio+20 reunirá representantes de cerca de 200 países no Rio de Janeiro, de 13 a 22 de junho, com o objetivo de discutir a economia verde e a criação de uma instituição internacional voltada para o desenvolvimento sustentável ou o fortalecimento das estruturas já existentes. Até o momento, cerca de 100 chefes de Estado e de governo confirmaram participação.

 

Felicidade na agenda

 

Entidades da sociedade civil internacionais e brasileiras estão se mobilizando para inserir o tema felicidade na agenda de debates da Rio+20. Essa inserção, entretanto, tem um propósito específico, segundo afirmou o criador do movimento não governamental "Mais Feliz", Mauro Motoryn. “Mais do que a medição de um índice, [queremos] é o estabelecimento de políticas públicas baseadas na felicidade do cidadão”, explicou.

 

O tema será abordado pelo Senado, no dia 26 de abril, em audiência pública a ser realizada pela Subcomissão Permanente de Acompanhamento da Rio+20 e do Regime Internacional sobre Mudanças Climáticas, que integra a Comissão de Relações Exteriores. Participarão do evento o Movimento Mais Feliz, a Fundação Getúlio Vargas e representantes de entidades da sociedade civil envolvidas com a Rio+20.

 

A proposta de transformação da felicidade em política pública está tramitando no Congresso Nacional por meio da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 19/2010, cujo relator é o senador Cristovam Buarque (PDT-DF). Mauro Motoryn acredita que a PEC irá a plenário até o início de junho.

 

“A PEC tem plenas condições de ser aprovada. No começo, todo mundo questionava [o debate sobre] a felicidade, mas hoje é uma questão de editorial na mídia mundial, [que está] nas articulações dos grandes pensadores da economia comportamental e em instituições de Harvard e na Fundação Getulio Vargas”, projetou o criador da ONG.

 

De fato, o tema felicidade ganha cada vez mais espaço nas pautas de vários países do mundo. O primeiro Relatório Mundial sobre Felicidade, divulgado este mês pela Organização das Nações Unidas (ONU), apontou a Dinamarca como o país onde os cidadãos se sentem mais felizes com a sua vida. Em seguida, vem a Finlândia. O Brasil aparece na 25ª colocação, entre 156 nações.

 

Mauro Motoryn explicou que o relatório privilegia os fatores sociais, nos quais o Brasil ainda apresenta “falhas gritantes”, a exemplo dos baixos índices em educação e saúde. “A gente não pode confundir um país alegre com um país feliz do ponto de vista daquilo que recebe do Estado. Ou seja, nós temos deficiências graves na área da educação, de saúde, e isso influi decisivamente na colocação que ocupamos [no relatório]”.

 

ESPECIALISTA PROJETA CRESCIMENTO DO MERCADO DE CARBONO

Consultor acredita que o preço do crédito não deverá cair abaixo do patamar atual de 10 euros por tonelada de carbono

 

Depois de um período de incertezas, a tendência é que o mercado de carbono cresça e se consolide nos próximos anos. A avaliação é do consultor de Mudanças Climáticas da MGM, Stefan David. “Havia um grande desconforto de não se saber o que aconteceria em Copenhague (onde se realizou a 15ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre o Clima), e um desconforto global por achar que os Estados Unidos não iriam se comprometer com nenhum tipo de compromisso, ou a China ficaria de fora também e o Brasil assumiria uma meta voluntária”, afirmou David, em entrevista à Agência Brasil.

 

Apesar de apostar no crescimento das negociações envolvendo créditos de carbono, David observou que ainda não é possível definir exatamente qual será o valor das reduções de gases estufa no mercado mundial. “A questão é como vai atuar a oferta e a demanda e isso vai impactar nos preços.” Entretanto, o consultor acredita que o preço do crédito não deverá cair abaixo do patamar atual de 10 euros por tonelada de carbono.

 

Ele ressaltou que o mercado de carbono sofre transformações constantes que tornam as regras para aprovação dos projetos cada vez mais rigorosas. “O espírito do sistema é a busca de melhoria contínua”, enfatizou.

 

Segundo o consultor, esse aperfeiçoamento contínuo é que possibilita a diferenciação de um projeto com validade ambiental para uma ação que deveria ser corriqueira naquela atividade. “Quando você quer desenvolver uma atividade que vai reduzir as emissões de gases do efeito estufa e no seu setor todo mundo já está fazendo aquilo que você quer fazer, não está trazendo nada de inovador e não está contribuindo para reduzir as emissões. O sistema entende que se você não fizer essa atividade mais moderna que todo mundo está implantando você vai desaparecer do mercado”, explicou.

 

Essas mudanças constantes, no entanto, também fazem com que exista alto risco de que os projetos não consigam certificação da Organização das Nações Unidas (ONU) para captar recursos. David citou o fato de que das cerca 300 metodologias apresentadas no órgão para medir a quantidade de carbono evitado, menos de 150 foram aprovadas.

 

Críticas

 

Mas o mercado de carbono também é visto com ressalvas por alguns dos mais respeitados especialistas em desenvolvimento sustentável. Para o economista Jeffrey Sachs, por exemplo, pensar em alternativas ao uso do carvão e em energia nuclear é mais importante que a atual ênfase dada aos créditos de CO2.

 

“Economistas falam muitas vezes como se o estabelecimento de um preço para as emissões de carbono (via permissões negociáveis ou um imposto sobre o carbono) fosse suficiente para cumprir as reduções necessárias dessas emissões. Isso não é verdade. Um sistema de créditos pode influenciar marginalmente as escolhas entre usinas de carvão e gás ou provocar um pouco mais de adoção de energia solar ou eólica, mas não levará a uma revisão necessária e fundamental dos sistemas de energia”, criticou.

 

Na opinião do economista franco-polonês Ignacy Sachs, o mercado de carbono também está longe de ser uma boa alternativa para a sustentabilidade do planeta. “Créditos de carbono são como indulgências que os papas vendiam na Idade Média, em que se podia assassinar um parente se tivesse o necessário para pagar uma indulgência. O Brasil não pode deixar de entrar nesse jogo, mas as soluções também têm que ser buscadas fora do mercado de carbono”, defendeu, em visita recente ao país.

 

Leia também

 

Fonte: Portal EcoD. http://www.ecodesenvolvimento.org.br/noticias/especialista-projeta-crescimento-do-mercado-de#ixzz1sKfBM06X

segunda-feira, 16 de abril de 2012

PESQUISADORES DESENVOLVEM NOVO PROCESSO DE RECICLAGEM

No Brasil, os supermercados de São Paulo deixaram neste mês de abril de distribuir gratuitamente as sacolas plásticas, ação semelhante a que está sendo tomada em países europeus. O principal motivo está no impacto que elas causam ao meio ambiente e por não serem recicladas adequadamente. Pensando nisso, o pesquisador Amit Naskar e seus colegas do Laboratório Oak Ridge, nos Estados Unidos, desenvolveram um processo que transforma o polietileno, usado no produto, em um material muito mais valioso: as fibras de carbono.

 

As fibras de carbono estão entre os materiais mais high-tech, ou seja, de maior tecnologia na atualidade. Elas estão presentes em carros de corrida, equipamentos esportivos, aviões e sondas espaciais. Segundo Naskar, o processo de reciclagem não apenas possibilita a transformação para fibras de carbono, como também torna possível ajustar o produto final em aplicações específicas. 

 

“Acreditamos que nossos resultados trarão para a indústria uma técnica flexível para fabricar fibras tecnologicamente inovadoras em inúmeras configurações, de aglomerados de fibras a não-tecidos de fibra de carbono”, explicou Naskar ao portal do Laboratório Oak Ridge.

 

Ao falar sobre as aplicações possíveis do material reciclado, o pesquisador é bem direto. “As possibilidades são virtualmente ilimitadas”, afirmou.

 

Como ocorre a transformação

 

Para o novo processo é utilizado uma técnica chamada de “sulfonação”, na qual é mergulhado o aglomerado de fibras em um ácido que contém um banho químico, onde reage e forma uma fibra negra que não irá se fundir novamente. “A técnica transforma as fibras de plástico em uma forma não fundível”, explicou Naskar. O resultado final pode ter um contorno superficial e um diâmetro de cada filamento ajustado com precisão no momento do processo de fabricação. A exatidão desta manipulação pode alcançar a escala dos nanômetros (subunidade do metro).

 

O processo de patente pendente lhes permite ajustar a porosidade, tornando o material potencialmente útil para a catálise de filtração e a captação de energia eletroquímica.

 

Os pesquisadores também observaram que a descoberta representa um sucesso para o DOE (Departamento de Energia), que busca avanços em materiais leves que possam ajudar as montadoras de carros norte-americanas na criação de um design capaz de atingir mais milhas por galão, sem comprometer a segurança ou o conforto. E a matéria-prima, que pode vir a partir de sacos de plástico e restos de tapete de apoio e salvamento, é abundante e barata. Fonte: Por: Redação TN / EcoD

 

 

 

PAGAMENTO POR SERVIÇOS AMBIENTAIS: APRENDER FAZENDO

Nova comunidade de aprendizagem em PSA deve contribuir para o conhecimento e a prática brasileira. Desafios para o País incluem ganho de escala e monitoramento de resultados

 

Desde o final do século passado, quando a pequenina Costa Rica passou a taxar combustíveis fósseis para remunerar proprietários de terras que promoviam reflorestamento, o modelo de pagamento por serviços ambientais (PSA) surgiu como uma das grandes inovações capazes de aproximar economia e conservação. Mas, como toda inovação, não se pode dispensar o aperfeiçoamento pela prática.

 

É aí que entra, no contexto brasileiro, a Comunidade de Aprendizagem em PSA, projeto gestado pelo Ministério do Meio Ambiente em parceria com a Agência de Cooperação Técnica Alemã (GIZ) e cuja secretaria executiva será exercida pelo Vitae Civilis. 

 

A ideia é fortalecer iniciativas já existentes e estimular a replicação do modelo em outras partes do País, tudo isso com base em um processo coletivo de aprendizagem. A metodologia consiste e mapear os atores e facilitar a troca de experiências entre eles, estabelecendo uma comunidade. O desenvolvimento do mecanismo PSA se dará a partir do conhecimento e das demandas presentes no próprio grupo.

 

Carlos Krieck, assessor para serviços ambientais e biodiversidade do Vitae Civilis e secretário executivo do projeto, exemplifica: “Hoje existe uma grande demanda por capacitações em PSA, seja de nível básico ou avançado. Mas além de atender demandas específicas promovendo oficians e cursos pontuais,   nosso papel é identificar dentro da própria Comunidade de Aprendizagem em PSA quem tem esse tipo de conhecimento e estimular o compartilhamento”.

 

A principal ferramenta é, naturalmente, a internet. O site www.aprendizagempsa.org.br – no ar a partir de 18 de abril – reunirá uma biblioteca virtual, um fórum para contatos entre participantes e um banco de dados com projetos cadastrados de todo o País. Será possível conhecer as iniciativas e o panorama geral da comunidade realizando buscas por região, bioma, tipo de serviço e status de implementação.

 

A expectativa do Vitae Civilis é levantar de 80 a 100 projetos durante a fase de incubação, que seguirá até outubro, mas qualquer pessoa pode se cadastrar e fazer parte desta espécie de rede social de PSA. “Todos os projetos do Brasil, independentemente do serviço negociado ou fase de implementação que se encontra,  são bem-vindos”, diz Krieck.

 

PSA no Brasil: trajetória e desafios futuros

 

Tradicionalmente, o mecanismo consiste em enxergar as áreas naturais para além de seus insumos e do patrimônio fundiário. Trata-se de reconhecer a importância de serviços essenciais, tais como a manutenção da biodiversidade, os estoques e sumidouros de carbono, a proteção dos recursos hídricos, a regulação do regime de chuvas, o controle da erosão etc. E, ao final, atribuir-lhes valor econômico. A remuneração para quem se compromete a conservar pode se dar com recursos públicos ou privados, a depender do modelo de parceria.

No Brasil, as primeiras iniciativas datam do começo dos anos 2000 e, nesse período, a prática já deu sinais de evolução. Krieck lembra que havia muita dificuldade em  calcular o valor adequado da remuneração para cada tipo de serviço e surgiam  muitas dúvidas sobre marco legal. Hoje já existem diversos métodos já testados e disseminados para realizar o cálculo econômico (é a chamada “valoração ambiental”) e também modelos para formulação de leis em PSA.

 

Na visão de Krieck, são dois os principais gargalos atuais no Brasil: escala dos projetos em andamento e monitoramento dos resultados. Em geral, os projetos de PSA são pequenas iniciativas locais, salvo algumas exceções, como o Espírito Santo, que estabeleceu uma política válida para todo os estado e já tem o programa implantado com áreas contratadas. Um grande impulso para o ganho de escala e fortalecimento do mecanismo de PSA no Brasil, seria a aprovação e regulamentação da Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais, atualmente em tramitação no Congresso.

 

Já o monitoramento dos resultados deve ser mais do que o simples cálculo de hectares e contrapartida financeira. “Os projetos tem que medir os impactos diretos do seu programa ou projeto. O quanto de fato esse investimento está fazendo diferença para a conservação de áreas naturais, recuperação de áreas degradadas e desenvolvimento local? O quanto esse pagamento tem impacto na família do beneficiário? Qual o destino do pagamento realizado? Hoje, são poucos os projetos que tem um bom sistema de monitoramento ambiental, social e econômico no Brasil  e nós queremos contribuir com esse debate”, diz Krieck.

 

Quem quiser saber mais sobre PSA e a comunidade de aprendizagem pode comparecer ao evento de lançamento no próximo dia 17/04/2012, em São Paulo, no Auditório da Secretaria Estadual de Meio ambiente, em São Paulo.

MDL ALCANÇA A MARCA DE QUATRO MIL PROJETOS REGISTRADOS

Uma iniciativa eólica no estado indiano de Maharashtra, que deve evitar as emissões de 21.807 toneladas de gases do efeito estufa ao ano, é o projeto de número quatro mil do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo das Nações Unidas (MDL).

 

“O MDL continua a evoluir e melhorar, crescendo para uma escala bem além do que era esperado. Governos, a diretoria internacional e a Convenção Quadro das Nações Unidas para Mudanças do Clima (UNFCCC) estão trabalhando continuamente para tornar o MDL mais simples, abrangente e eficiente”, afirmou Christiana Figueres, presidente da UNFCCC.

 

Existem atualmente registrados na ferramenta projetos de 74 países, variando de fornos eficientes para minimizar a queima de madeira a iniciativas renováveis que substituem combustíveis fósseis.

 

O número de projetos cresceu rapidamente nos últimos anos, sendo que em 2011, por exemplo, 2740 iniciativas foram registradas, 50% a mais do que em 2010. Somente em fevereiro de 2012, 256 novos projetos entraram no MDL, o segundo maior volume mensal desde que o mecanismo entrou em funcionamento em 2004.

 

O MDL permite que projetos que proporcionam reduções reais e transparentes de emissões recebam créditos chamados CERs. As CERs podem então serem negociadas com países industrializados que precisem alcançar metas de emissões definidas pelo Protocolo de Quioto.

 

Fonte:Instituto CarbonoBrasil/UNFCCC

 

quarta-feira, 11 de abril de 2012

As Vertentes Do Desenvolvimento

Mesmo os setores mais à esquerda do espectro político brasileiro não se furtam de se pronunciar sobre a necessidade do desenvolvimento. Outros setores fazem questão de acrescentar ao desenvolvimento o termo politicamente correto de sustentável, na esperança de que tal desenvolvimento ocorra sem danos ao meio ambiente e sem traumas sociais.

 

Há, também, os que querem o desenvolvimento, mas abominam a construção de grandes hidrelétricas, a exploração do petróleo do pré-sal, a energia atômica e outras atividades que consideram economicamente superadas. Para eles, falar em industrialização não passa de palavrão. E liquidar a agricultura intensiva e comercial, transformando-a em milhões de unidades agrícolas familiares, autossustentáveis, seria o melhor dos sonhos.

 

Menos mal que, atualmente, essas correntes de pensamento começam a falar do capitalismo como a razão principal dos danos ambientais e sociais. Até há pouco, elas jogavam toda a culpa sobre a humanidade ou sobre indivíduos e instituições governamentais. Por outro lado, mesmo agora, não se dão conta da necessidade histórica do capitalismo, nem das demais formações sociais que o antecederam, e pretendem realizar um desenvolvimento que deixe de lado os imperativos econômicos. Pretensão que as experiências socialistas, sejam as utópicas, sejam as de tipo soviético, mostraram estar em contradição com o desenvolvimento social.

 

No momento, em termos globais, temos em curso três grandes vertentes de desenvolvimento. A primeira, puramente capitalista, é a dos países avançados, explicitamente os Estados Unidos, Alemanha, Japão, França e Inglaterra. O desenvolvimento das forças produtivas e da acumulação de capital nesses países alcançou um grau que lhes impôs uma taxa média decrescente nos lucros e entrou em contradição com sua capacidade de realização interna. Portanto, o desenvolvimento nesses países bateu no teto.

 

Para continuarem se desenvolvendo, eles teriam que realizar um intenso processo de inovação científica e tecnológica, agravando ainda mais a tendência de queda da taxa média de lucro. Por isso, a saída adotada pelas empresas capitalistas tem sido praticar uma intensa especulação financeira, e transferir ou relocalizar plantas industriais em países agrários. Em outras palavras, elevar suas taxas médias de lucro por meio da produção de dinheiro fictício e da extração de mais-valia absoluta em países com força de trabalho barata.

 

Essa saída intensificou as contradições nos países desenvolvidos. Incentivou a desindustrialização interna e o consequente desemprego. Fez emergir uma cisão entre o lucro das corporações empresariais globalizadas e os recursos que elas internalizavam para manter os Estados nacionais e o padrão de vida das camadas altas e médias de suas populações. Transformou em concorrentes comerciais muitos dos países de baixo desenvolvimento capitalista, ao estimular sua industrialização. E abriu as comportas para a ocorrência de crises financeiras e econômicas ainda mais profundas. Embora haja diferenças no grau em que essas contradições afetam cada um daqueles países capitalistas desenvolvidos, as tendências principais são as mesmas.

 

A segunda vertente é aquela representada pela China e Vietnã, que combinam o modo de produção camponês e o modo de produção socialista com o modo de produção capitalista, num tipo de economia que eles próprios denominam de socialista de mercado. Esses países se aproveitaram dos excedentes de capitais dos países desenvolvidos e da decisão de relocalização de plantas industriais das corporações empresariais. Com um razoável conhecimento das lacunas de suas cadeias produtivas, e sem medo de enfrentar a concorrência e os problemas próprios do modo de produção capitalista, estabeleceram programas específicos e controlados para atrair investimentos diretos e plantas industriais, de modo a adensarem aquelas cadeias e introduzirem tecnologias avançadas em suas empresas estatais.

 

Os resultados dessa vertente foram variados. Houve um crescente e rápido crescimento industrial e agrícola, acompanhado da transferência de grandes massas da população dos trabalhos agrícolas para trabalhos de construção e produção industriais, comerciais e de serviços.

Ocorreu uma crescente geração de riqueza, que permitiu uma redistribuição constante da renda, embora com desigualdade. A participação da economia desses países no mercado mundial deu um salto. Em contrapartida, houve um intenso processo de degradação ambiental, que agora começa a ser revertido.

 

Elevaram-se também as tensões econômicas e sociais relacionadas com a contradição entre o alto ritmo de crescimento e o ritmo mais lento da construção infraestrutural, da descoberta de novas fontes de matérias-primas e da elevação dos salários. Ocorreu, ainda, um descompasso entre a elevação do produto interno bruto e a elevação do produto nacional bruto.

 

O grande esforço atual relaciona-se com a superação dos problemas pendentes no desenvolvimento econômico, social e ambiental. O ritmo de crescimento deve ser reduzido. A renda das camadas mais pobres está sendo elevada, de modo a tornar o mercado doméstico o principal foco da produção industrial. Os serviços públicos estão em processo de universalização para todo o país. A inovação científica e tecnológica está voltada para transformar a agricultura, limpar a matriz energética e elevar o produto nacional bruto.

 

Não há indícios de que esses países pretendam eliminar, a curto prazo, a combinação entre os modos de produção socialista e capitalista. Também continua indefinido qual desses modos predominará quando o desenvolvimento das forças produtivas atingir seu auge, mesmo porque tal desenvolvimento ainda está longe desse teto. Por outro lado, em ambos os países aumenta o esforço para uma administração equilibrada da paulatina, mas crescente, luta entre os trabalhadores industriais e seus patrões capitalistas e estatais.

 

A terceira vertente é aquela representada por Brasil, Rússia, África do Sul, Coreia do Sul, Indonésia e diversos outros países da América Latina, África, Ásia e Europa. Neles predomina o modo de produção capitalista, mas suas forças produtivas ainda não alcançaram, em geral, o estágio dos países capitalistas avançados. Eles já concorrem, em certa medida, com produtos de consumo avançados. Porém, nem sempre fabricam equipamentos produtores daqueles bens de consumo. E quase nunca fabricam as máquinas capazes de produzir aqueles equipamentos. Vivem, assim, numa grande dependência tecnológica dos países desenvolvidos, o que incide fortemente em sua competitividade no mercado internacional.

 

Em vários desses países, a aplicação de políticas neoliberais causou a privatização de parte considerável das empresas estatais, a oligopolização de ramos industriais inteiros, o desmonte de parcela importante dos parques industriais e o sucateamento da infraestrutura logística. Tudo isso reduziu a capacidade de intervenção do Estado no processo de desenvolvimento e a capacidade de alavancagem industrial do país.

 

Além disso, resquícios das políticas neoliberais têm levado os setores burgueses a só investirem em projetos industriais se tiverem garantias e financiamentos governamentais. E muitos governos vacilam ou têm dificuldade em adotar programas efetivos de industrialização, voltados tanto ao adensamento das cadeias produtivas quanto à reconstrução de instrumentos ativos que possibilitem ao Estado nacional induzir o desenvolvimento econômico e social.

 

Em alguns desses países, como o Brasil, a adoção de políticas de crescimento econômico e de redistribuição mais eficaz da renda permitiu elevar as taxas de emprego e retirar do nível da miséria alguns milhões de seres humanos, elevando o poder de compra de parcelas consideráveis da população. Porém, um crescimento mais lento na produção e na oferta de alimentos e produtos industriais de consumo introduziu uma tensão nos preços e nas tendências inflacionárias, trazendo à tona as lacunas existentes no processo de desenvolvimento.

 

A novidade dessa vertente de desenvolvimento é a presença de governos de esquerda e socialistas em alguns desses países. Na prática, esses governos foram colocados na incômoda situação de ter que estimular o desenvolvimento capitalista para fazer frente às demandas geradas pelas políticas sociais de redistribuição da renda, geração de empregos e melhoria das condições de vida. Alguns acham que isto é uma verdadeira traição ao socialismo. Outros, que isto é uma situação concreta que deve ser enfrentada como tal.

* Wladimir Pomar (Correio da Cidadania)